A expectativa é aumentar investimentos para suprir a crescente demanda alavancada pelo agronegócio em Goiás e Mato Grosso.
O Brasil tem cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias, mas apenas 40% disto, cerca de 12 mil quilômetros, estão em operação. Segundo o superintendente de empreendimentos da Infra S.A., Tharlles Fernandes, a meta é dobrar essa malha até 2035.
A projeção é uma necessidade para suportar a demanda de crescimento alavancada pelo agronegócio em Goiás e Mato Grosso. Que atinge a estimativa de 300 milhões de toneladas em dez anos, apontada por estudos da Infra S.A..
Atualmente, afirma Tharlles, o país não tem condições rodoviárias para suportar esse aumento, de modo que torna-se necessário facilitar a implantação de ferrovias e sua operacionalização.
“O poder público precisa propor soluções para minimizar a burocracia e a insegurança jurídica que afasta os investimentos. Por outro lado, precisamos aproveitar a celeridade que a iniciativa privada oferece em termos de contratação e operação”, disse.
Tharlles Fernandes participou nesta semana em Goiânia de Encontro Anual de Ferrovias do Brasil Central, realizado na Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra).
Representante da Rumo S.A., Rodrigo Verardino disse que serão realizados novos investimentos na Ferrovia Norte Sul. A companhia se prepara para investir R$ 2,5 bilhões no Porto de Santos e constrói dois novos terminais em Goiás, em Porangatu e Rio Verde.
“O volume de transporte praticamente dobrou entre 2015 e 2023. No mesmo período, o consumo de diesel reduziu 29% e os acidentes com pessoal caiu 83%. É uma perspectiva de crescimento”, afirmou.
Apenas em Goiás, o transporte de grãos, como milho, farelo e soja, mais que dobrou nos últimos quatro anos. “Saímos de R$ 3,3 bilhões de toneladas para R$ 7,7 bilhões somente para exportação. Essa realidade ampara o investimento de R$ 2,5 bilhões que faremos e está na fase de licenciamento”, reforçou Verardino.
Diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Eloi Palma destacou os Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEAs) em andamento. Eles propõem soluções para implantação de novos empreendimentos ferroviários e para eliminação de conflitos urbanos com outros modais de transporte.
“Temos que considerar estratégias de longo prazo, de crescimento de malha e de aumento de capacidade, assim como o crescimento das cidades. Às vezes um metro a mais adotado no planejamento faz uma diferença de milhões de reais no futuro. Melhor desembolsar mais na execução para se conseguir mais benefícios na operação”, ressaltou.