A medida dos Estados Unidos pode impactar diversos setores produtivos de Goiás, especialmente o agronegócio.
Entidades do setor produtivo goiano demonstram forte preocupação com o anúncio do presidente Donald Trump (EUA) de impor tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros. A medida, que mistura tensões comerciais e interesses geopolíticos, pode impactar diversos setores produtivos de Goiás, especialmente o agronegócio.
A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) disse que o anúncio da taxação pode fazer com que os setores de agroindústria, mineração e autopeças, percam competitividade. “Estimativas preliminares indicam uma retração de até 15% no fluxo comercial entre Goiás e os Estados Unidos”, avalia a entidade.
A Fieg defende articulação entre o Itamaraty, governos estaduais e setor produtivo. Com adoção de medidas como diversificação de mercados, compensações fiscais para setores impactados e manutenção de canais de diálogo com o governo americano.
Alega ainda que os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro no Brasil, com estoque superior a US$ 156 bilhões, e o segundo principal parceiro comercial do país, com transações que somaram US$ 78 bilhões em 2024.
Para o presidente do Sistema OCB-GO, Luís Alberto Pereira, a decisão está misturando questões políticas e econômicas. E isso pode prejudicar diretamente o setor cooperativista, sobretudo nas áreas de soja, etanol e carne.
“As cooperativas de Goiás serão prejudicadas principalmente na área de commodities. Com a tarifação americana, terão que buscar outros mercados. O aumento da oferta deve fazer o preço cair”, explica ao EMPREENDER EM GOIÁS.
Luís Alberto defende que o Brasil precisa exercer a diplomacia para minimizar os impactos. “O Brasil será o maior prejudicado. Os EUA são nosso segundo maior parceiro comercial, atrás apenas da China”, frisa.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner, classificou a medida como preocupante e alerta para os reflexos diretos nas exportações do agronegócio. “Essa nova taxação trará aumentos nos custos de insumos importados e impactará na competitividade das nossas exportações”, diz ao EMPREENDER EM GOIÁS.
Segundo José Mário, os setores mais afetados devem ser o da carne bovina, que representa 61,8% das exportações goianas para os EUA, e o de açúcar, com US$ 32,3 milhões exportados em 2024. Também podem ser impactados os mercados de frutas, milho, peixes, café e hortaliças.
Pelo lado das importações, os principais produtos afetados seriam máquinas agrícolas (25,5% do total importado dos EUA) e fertilizantes (6%).
O presidente da Faeg afirma que, embora o impacto seja imediato para os setores exportadores, há chance de redirecionamento para outros mercados. O problema maior está nas importações. “Há poucos espaços para substituição de máquinas e fertilizantes no mercado mundial. O produtor pode acabar absorvendo esse custo”, avaliou.