domingo, 31 de agosto de 2025
Tarifaço Trump: economistas preveem impactos pontuais

Tarifaço Trump: economistas preveem impactos pontuais

O possível tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros causará impacto na economia, mas não de forma generalizada.

10 de julho de 2025

Orsida avalia que as tarifas americanas podem acelerar acordos do Brasil com outros blocos econômicos, como União Europeia e China

O tarifaço de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros causará impacto na economia nacional. Mas de forma pontual e não generalizada. Segundo economistas goianos ouvidos pelo EMPREENDER EM GOIÁS.

O economista João Gondim aponta que os Estados Unidos representam 15% das exportações brasileiras. Mas que, apesar de expressivo, os números não são majoritários. “Produtos como soja, carne e café exportados para os EUA também têm demanda da China, Europa e África, o que pode mitigar os impactos”, diz.

Ele alerta que setores como carnes, soja, suco de laranja, café, celulose e madeira compensada serão os mais afetados. “No caso da Embraer, o impacto é duplo: na exportação dos aviões e na importação de peças”, disse.

Gondim questiona a narrativa usada por Trump como justificativa para a tributação dos produtos brasileiros. “Os EUA têm superávit na balança com o Brasil, não déficit. A retaliação tem fundo político, ligado à aproximação do Brasil com os BRICS e à política externa adotada”, frisa.

Gondim questiona a narrativa usada por Trump como justificativa para a tributação dos produtos brasileiros.

Blocos econômicos

O economista Danilo Orsida reforça o risco para setores específicos, como o siderúrgico e o agrícola. “A tarifa pode desorganizar as exportações de aço e milho, além de criar barreiras em função do realinhamento político do Brasil com outras potências”, explica.

Segundo ele, a medida pode acelerar acordos com outros blocos econômicos, como União Europeia e China.

Já o economista Erik Figueiredo destaca que o Brasil é mais vulnerável nesse cenário. “Se aplicarmos a reciprocidade, o prejuízo será maior para nós. A Embraer sofreria duas vezes”, diz.

Ele alerta ainda que, embora relevante, se explora pouco o efeito no mercado financeiro. “O fechamento do mercado americano pode forçar o Brasil a buscar mais apoio dos BRICS, o que agrava ainda mais o quadro geopolítico”, afirma.

Entretanto, Figueiredo avalia que o impacto do tarifaço de Trump no agronegócio brasileiro será limitado, já que apenas 6% da produção vai para os EUA. Com destaque negativo apenas para o café (16% da produção é exportada ao país norte-americano).

Erick Figueiredo avalia que o impacto do tarifaço de Trump no agronegócio brasileiro será limitado

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