O possível tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros causará impacto na economia, mas não de forma generalizada.
O tarifaço de 50% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos brasileiros causará impacto na economia nacional. Mas de forma pontual e não generalizada. Segundo economistas goianos ouvidos pelo EMPREENDER EM GOIÁS.
O economista João Gondim aponta que os Estados Unidos representam 15% das exportações brasileiras. Mas que, apesar de expressivo, os números não são majoritários. “Produtos como soja, carne e café exportados para os EUA também têm demanda da China, Europa e África, o que pode mitigar os impactos”, diz.
Ele alerta que setores como carnes, soja, suco de laranja, café, celulose e madeira compensada serão os mais afetados. “No caso da Embraer, o impacto é duplo: na exportação dos aviões e na importação de peças”, disse.
Gondim questiona a narrativa usada por Trump como justificativa para a tributação dos produtos brasileiros. “Os EUA têm superávit na balança com o Brasil, não déficit. A retaliação tem fundo político, ligado à aproximação do Brasil com os BRICS e à política externa adotada”, frisa.
O economista Danilo Orsida reforça o risco para setores específicos, como o siderúrgico e o agrícola. “A tarifa pode desorganizar as exportações de aço e milho, além de criar barreiras em função do realinhamento político do Brasil com outras potências”, explica.
Segundo ele, a medida pode acelerar acordos com outros blocos econômicos, como União Europeia e China.
Já o economista Erik Figueiredo destaca que o Brasil é mais vulnerável nesse cenário. “Se aplicarmos a reciprocidade, o prejuízo será maior para nós. A Embraer sofreria duas vezes”, diz.
Ele alerta ainda que, embora relevante, se explora pouco o efeito no mercado financeiro. “O fechamento do mercado americano pode forçar o Brasil a buscar mais apoio dos BRICS, o que agrava ainda mais o quadro geopolítico”, afirma.
Entretanto, Figueiredo avalia que o impacto do tarifaço de Trump no agronegócio brasileiro será limitado, já que apenas 6% da produção vai para os EUA. Com destaque negativo apenas para o café (16% da produção é exportada ao país norte-americano).