Susan Santos, fundadora da escola Ginga Funk, levou a cultura do funk até Harvard e inspira novos ‘empreendedores periféricos’.
Desde muito jovem, Susan Santos esteve conectada à dança e à cultura. Criada em uma comunidade de Aparecida de Goiânia, teve contato com o funk e o hip hop, estilos que marcaram sua formação artística. Aos 19 anos, ingressou na Universidade Federal de Goiás (UFG) para estudar dança.
Já em 2016, no primeiro ano de graduação, começou a dar aulas em escolas públicas da periferia. Nesse período percebeu a curiosidade das crianças em aprender a dançar funk. Esse interesse despertou nela a ideia de criar um projeto cultural mais amplo.
Da vivência nas salas de aula nasceu o documentário Dance Funk!, aprovado por lei de incentivo. O audiovisual foi premiado pela reitoria da UFG e exibido em escolas e espaços culturais em Goiás e em Minas Gerais. Esse foi o primeiro passo de Susan no empreendedorismo cultural.
Com a pandemia em 2020, Susan se uniu a Ryggie Diamantino Cruz, professor e doutor honoris causa, para estruturar um negócio. Em 2022, fundou a escola de dança Ginga Funk, especializada no ensino de funk e coreografia.
O impacto foi imediato: no ano seguinte, a Ginga Funk esteve entre os Top 10 do Goiás Expo Favela, evento que valoriza iniciativas empreendedoras vindas das periferias. Já em 2024, a escola participou da Feira Preta em São Paulo, sendo uma das cinco selecionadas a receber recursos de investimento.
O auge da trajetória de Susan Santos aconteceu em 2025, quando a Ginga Funk conquistou uma das duas vagas para representar o Brasil em Harvard. Um reconhecimento concedido a projetos com grande impacto comunitário na área da cultura.
Em Cambridge (EUA), Susan ministrou um workshop sobre funk e realizou uma performance, levando a energia da periferia goiana para uma das universidades mais prestigiadas do mundo.
Apesar das conquistas, Susan destaca que o caminho não é simples. Segundo ela, empreendedores periféricos enfrentam barreiras de acesso ao conhecimento e à rede de contatos.
“Um jovem branco que tem empresário na família já sabe os caminhos a seguir. Para quem vem da periferia, o desafio é encontrar oportunidades que guiem sua jornada no empreendedorismo”, afirma.
Um dos espaços que impulsionam esses empreendedores é a Expo Favela Innovation Goiás 2025, que será realizada nos dias 25 e 26 de setembro, no Shopping Passeio das Águas, em Goiânia.
O evento, considerado a maior feira da América Latina de startups e empreendedores das periferias, deve reunir mais de 20 mil pessoas, entre investidores, empresários, artistas e autoridades. A programação contará com shows, apresentações culturais, painéis de debates e exposições.