
As empresárias anapolinas Larissa Kely e Ingrid Borges quiseram investir no que elas chamam de “novo remake de brechós” e decidiram empreender no ramo da moda circular.
Elas são proprietárias do Bendito Brechó Infantil, que hoje conta com mais de 2 mil peças catalogadas e vendas que oscilam entre 800 e mil peças mensais para crianças e adolescentes de 0 a 16 anos.
A empresa foi criada em 2020 pelas redes sociais. No início, a estratégia foi trabalhar com consignação, modelo no qual as mães deixam suas peças para serem avaliadas e vendidas pela loja.
“O investimento foi zero. Nosso maior recurso foi o tempo”, lembra Larissa. O que não é vendido é devolvido às fornecedoras, mantendo o risco financeiro sempre baixo. Elas lembram ainda que iniciaram com roupas dos filhos e de amigas próximas.
Ingrid foi quem primeiro teve contato com o “novo remake dos brechós”, tendência que profissionalizou e modernizou o mercado de roupas usadas, distanciando-se da imagem dos antigos bazares.
Essa versão contemporânea aposta em curadoria, organização por categorias, araras por tamanho, atendimento personalizado e um ambiente que lembra uma loja tradicional, mas com peças únicas e preços acessíveis.
A ideia amadureceu no período em que ambas estavam grávidas. Ingrid, que já havia empreendido em moda e eventos, voltou a se interessar pelo empreendedorismo e decidiu pesquisar sobre brechós infantis.
Larissa, então trabalhadora formal e também grávida, buscava uma alternativa para não voltar à vida CLT. A combinação de necessidade, oportunidade e afinidade fez o projeto nascer.

Hoje, o Bendito Brechó Infantil conta com 2.169 itens catalogados, entre roupas, calçados e acessórios, como carrinhos de bebê, bombas de tirar leite e brinquedos. Tudo passa por uma curadoria criteriosa, que avalia marca, conservação, atualidade e potencial de saída. “Nossa diferencial é entregar peças prontas para uso. A mãe pode comprar e o filho já sair usando”, destaca Ingrid.
Segundo elas, o modelo digital permitiu que o negócio se mantivesse ativo e crescesse no período de isolamento. Hoje, embora contem com loja física situada no Bairro Jundiaí — área conhecida como “rota dos brechós” —, a maior parte das vendas ainda vem do online.
“Muitas clientes compram pelo Instagram e fazem retirada na loja. Outras encomendam de cidades próximas, como Goiânia, Aparecida, Abadiânia, Corumbá, Pirenópolis, Cocalzinho e municípios do entorno do DF”, afirma Larissa.
Para as sócias, a moda circular infantil carrega um impacto que ultrapassa o ambiental. Há também um valor emocional. “A peça ganha uma nova história, uma nova família. Vemos roupas, principalmente as importadas, que passam pela loja três ou quatro vezes e continuam perfeitas. Isso abençoa outras mães”, explica Larissa.
Com o aumento da demanda, as empreendedoras ampliaram recentemente o quadro de colaboradoras — agora são duas funcionárias — e pretendem fortalecer a parte operacional para que possam se dedicar mais à estratégia e expansão.
“A gente precisa sair um pouco do operacional para crescer. Investir em treinamento, melhorar a estrutura, ampliar a loja e aumentar as vendas são metas para 2025”, afirma Ingrid. As empresárias não descartam ainda a possibilidade de a marca se tornar uma franquia no futuro.