
A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa distante e passou a ocupar um papel estratégico no dia a dia das micro, pequenas e médias empresas. Segundo revela a pesquisa “IA em micro, pequenas e médias empresas: tendências, desafios e oportunidades”, encomendada pela Microsoft à Edelman Comunicação.
De acordo com o levantamento, 77% dos tomadores de decisão afirmam que a IA já contribui diretamente para a agilidade dos processos empresariais. Além disso, 75% das empresas se dizem otimistas em relação ao impacto da tecnologia em seus negócios, enquanto 74% afirmam que já investiram ou pretendem continuar investindo em soluções de IA.
O estudo também aponta que a inteligência artificial se consolidou como prioridade estratégica para a maioria dos líderes empresariais. Entre os colaboradores, o otimismo também é elevado: 64% acreditam que a IA traz resultados positivos para o trabalho.
Os principais benefícios citados incluem melhoria da qualidade das entregas (77%), ganhos de produtividade (76%) e aumento da satisfação dos clientes (70%).
De acordo com a pesquisa da Edelman, marketing e atendimento ao cliente são as áreas que mais impulsionam a adoção de inteligência artificial nas empresas brasileiras. Outras áreas também aparecem com participação relevante no processo de decisão de compra de soluções de IA, como finanças (28%), serviço ao cliente (27%), recursos humanos (25%) e vendas (16%).
Diante desse cenário, o EMPREENDER EM GOIÁS ouviu empresários e especialistas goianos para entender em quais áreas a IA já faz — ou pode fazer — maior diferença nos negócios.
Participaram da análise Phillipe Milograna, sócio e diretor comercial da Rank Negócios, especializada em atendimento e automação com IA, e Marcus Tabosa, empresário do setor de tecnologia e especialista do Hub Cerrado. Confira os principais destaques:
As áreas com contato direto com o cliente estão entre as que mais se beneficiam da inteligência artificial, especialmente em WhatsApp, chats e redes sociais.
Sem IA: o atendimento depende exclusivamente de pessoas, fica restrito ao horário comercial, gera filas, respostas repetitivas e perda de oportunidades fora do expediente.
Com IA: a empresa passa a operar 24 horas por dia, filtra dúvidas recorrentes, qualifica leads, agenda reuniões e direciona apenas os casos mais complexos para o time humano.
“O resultado é aumento de conversão e redução da sobrecarga da equipe”, explica Phillipe Milograna.
No marketing, a IA se destaca principalmente pelo ganho de escala e redução de custos. A tecnologia permite manter constância na produção de conteúdo, com campanhas mais rápidas e assertivas.
Sem IA: produção lenta, dependência de terceiros, alto custo por peça e campanhas baseadas em suposições e análises manuais.
Com IA: é possível gerar textos, roteiros, ideias de posts, anúncios e até vídeos com rapidez, mantendo a identidade da marca.
“A IA também é extremamente eficiente na análise de comportamento e segmentação de públicos”, ressalta Marcus Tabosa.
Segundo a McKinsey, empresas que utilizam IA no marketing registram aumento médio de 10% a 20% na eficiência das campanhas, além de redução no desperdício de mídia.

Atividades repetitivas, burocráticas e operacionais são especialmente adequadas à automação com IA.
Sem IA: processos manuais, pouco escaláveis, com aumento proporcional de custos e risco de erros à medida que o negócio cresce.
Com IA: tarefas operacionais são automatizadas, há redução de retrabalho e melhoria dos fluxos internos.
“Organizações que aplicam IA em processos operacionais conseguem ganhos de eficiência entre 20% e 40% sem aumento proporcional da equipe”, destaca Tabosa, citando estudo da Accenture.
No setor financeiro, a IA tem avançado como aliada da gestão.
Sem IA: controle reativo, conciliações manuais, cobranças atrasadas e pouca visibilidade dos números no dia a dia.
Com IA: a tecnologia automatiza conciliações, detecta padrões de gastos e antecipa riscos.
Segundo estudo da PwC, empresas que utilizam IA em finanças conseguem reduzir custos operacionais em até 25% e melhorar significativamente a previsibilidade de caixa.
“A gestão deixa de apagar incêndios e passa a tomar decisões com base em dados atualizados”, complementa Milograna.
A inteligência artificial também se tornou uma aliada importante da liderança e da gestão de pessoas.
Sem IA: decisões baseadas em percepção, relatórios atrasados e processos seletivos lentos e subjetivos.
Com IA: dados de atendimento, vendas e operação são analisados continuamente, gerando insights automáticos sobre gargalos, oportunidades e comportamento dos clientes. No RH, a tecnologia acelera a triagem de currículos, analisa aderência de perfis e monitora engajamento.
De acordo com a LinkedIn Talent Solutions, empresas que utilizam IA no recrutamento reduzem em até 35% o tempo de contratação e aumentam a qualidade das admissões.
Na avaliação dos especialistas, a inteligência artificial já se consolidou como um fator de competitividade para empresas de todos os portes. Quem adota a tecnologia de forma prática ganha eficiência, reduz custos e melhora a experiência do cliente. Quem ignora, tende a perder espaço.
“A inteligência artificial deixou de ser futurista. Quando aplicada de forma prática, ela não substitui pessoas, mas libera tempo, reduz erros e melhora decisões”, conclui Phillipe Milograna.