terça-feira, 20 de janeiro de 2026
IA deixa de ser tendência e vira motor de produtividade

IA deixa de ser tendência e vira motor de produtividade

Da automação à estratégia: entenda por que a IA virou prioridade nas empresas brasileiras.

20 de janeiro de 2026

Phillipe Milograna : “Quando aplicada de forma prática, a IA não substitui pessoas, mas libera tempo, reduz erros e melhora decisões”

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa distante e passou a ocupar um papel estratégico no dia a dia das micro, pequenas e médias empresas. Segundo revela a pesquisa “IA em micro, pequenas e médias empresas: tendências, desafios e oportunidades”, encomendada pela Microsoft à Edelman Comunicação.

De acordo com o levantamento, 77% dos tomadores de decisão afirmam que a IA já contribui diretamente para a agilidade dos processos empresariais. Além disso, 75% das empresas se dizem otimistas em relação ao impacto da tecnologia em seus negócios, enquanto 74% afirmam que já investiram ou pretendem continuar investindo em soluções de IA.

O estudo também aponta que a inteligência artificial se consolidou como prioridade estratégica para a maioria dos líderes empresariais. Entre os colaboradores, o otimismo também é elevado: 64% acreditam que a IA traz resultados positivos para o trabalho.

Os principais benefícios citados incluem melhoria da qualidade das entregas (77%), ganhos de produtividade (76%) e aumento da satisfação dos clientes (70%).

Marketing e atendimento

De acordo com a pesquisa da Edelman, marketing e atendimento ao cliente são as áreas que mais impulsionam a adoção de inteligência artificial nas empresas brasileiras. Outras áreas também aparecem com participação relevante no processo de decisão de compra de soluções de IA, como finanças (28%), serviço ao cliente (27%), recursos humanos (25%) e vendas (16%).

Diante desse cenário, o EMPREENDER EM GOIÁS ouviu empresários e especialistas goianos para entender em quais áreas a IA já faz — ou pode fazer — maior diferença nos negócios.

Participaram da análise Phillipe Milograna, sócio e diretor comercial da Rank Negócios, especializada em atendimento e automação com IA, e Marcus Tabosa, empresário do setor de tecnologia e especialista do Hub Cerrado. Confira os principais destaques:

Atendimento e vendas: operação 24 horas e mais conversão

As áreas com contato direto com o cliente estão entre as que mais se beneficiam da inteligência artificial, especialmente em WhatsApp, chats e redes sociais.

Sem IA: o atendimento depende exclusivamente de pessoas, fica restrito ao horário comercial, gera filas, respostas repetitivas e perda de oportunidades fora do expediente.

Com IA: a empresa passa a operar 24 horas por dia, filtra dúvidas recorrentes, qualifica leads, agenda reuniões e direciona apenas os casos mais complexos para o time humano.

“O resultado é aumento de conversão e redução da sobrecarga da equipe”, explica Phillipe Milograna.

Marketing e criação de conteúdo: mais constância e menor custo

No marketing, a IA se destaca principalmente pelo ganho de escala e redução de custos. A tecnologia permite manter constância na produção de conteúdo, com campanhas mais rápidas e assertivas.

Sem IA: produção lenta, dependência de terceiros, alto custo por peça e campanhas baseadas em suposições e análises manuais.

Com IA: é possível gerar textos, roteiros, ideias de posts, anúncios e até vídeos com rapidez, mantendo a identidade da marca.

“A IA também é extremamente eficiente na análise de comportamento e segmentação de públicos”, ressalta Marcus Tabosa.

Segundo a McKinsey, empresas que utilizam IA no marketing registram aumento médio de 10% a 20% na eficiência das campanhas, além de redução no desperdício de mídia.

Marcus Tabosa: “A Inteligência Artificial automatiza conciliações, detecta padrões de gastos e antecipa riscos”

Processos internos e operacionais: eficiência sem inflar a equipe

Atividades repetitivas, burocráticas e operacionais são especialmente adequadas à automação com IA.

Sem IA: processos manuais, pouco escaláveis, com aumento proporcional de custos e risco de erros à medida que o negócio cresce.

Com IA: tarefas operacionais são automatizadas, há redução de retrabalho e melhoria dos fluxos internos.

“Organizações que aplicam IA em processos operacionais conseguem ganhos de eficiência entre 20% e 40% sem aumento proporcional da equipe”, destaca Tabosa, citando estudo da Accenture.

Financeiro e administrativo: mais previsibilidade e menos retrabalho

No setor financeiro, a IA tem avançado como aliada da gestão.

Sem IA: controle reativo, conciliações manuais, cobranças atrasadas e pouca visibilidade dos números no dia a dia.

Com IA: a tecnologia automatiza conciliações, detecta padrões de gastos e antecipa riscos.
Segundo estudo da PwC, empresas que utilizam IA em finanças conseguem reduzir custos operacionais em até 25% e melhorar significativamente a previsibilidade de caixa.

“A gestão deixa de apagar incêndios e passa a tomar decisões com base em dados atualizados”, complementa Milograna.

Gestão e tomada de decisão: dados no centro da estratégia

A inteligência artificial também se tornou uma aliada importante da liderança e da gestão de pessoas.

Sem IA: decisões baseadas em percepção, relatórios atrasados e processos seletivos lentos e subjetivos.

Com IA: dados de atendimento, vendas e operação são analisados continuamente, gerando insights automáticos sobre gargalos, oportunidades e comportamento dos clientes. No RH, a tecnologia acelera a triagem de currículos, analisa aderência de perfis e monitora engajamento.

De acordo com a LinkedIn Talent Solutions, empresas que utilizam IA no recrutamento reduzem em até 35% o tempo de contratação e aumentam a qualidade das admissões.

Diferencial competitivo

Na avaliação dos especialistas, a inteligência artificial já se consolidou como um fator de competitividade para empresas de todos os portes. Quem adota a tecnologia de forma prática ganha eficiência, reduz custos e melhora a experiência do cliente. Quem ignora, tende a perder espaço.

“A inteligência artificial deixou de ser futurista. Quando aplicada de forma prática, ela não substitui pessoas, mas libera tempo, reduz erros e melhora decisões”, conclui Phillipe Milograna.

Saiba mais: Empresas goianas lideram uso de inteligência artificial

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