sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Recuperação judicial expõe risco no transporte ligado ao agro goiano

Recuperação judicial expõe risco no transporte ligado ao agro goiano

Grupo de Rio Verde entra em recuperação judicial após crise no agro, alta de custos, bloqueios judiciais e juros bancários.

30 de janeiro de 2026

A recuperação judicial do Grupo Moremaxx trouxe à tona a trajetória de um conglomerado familiar com raízes no agronegócio do Sudoeste de Goiás. Que, ao longo de quase três décadas, expandiu suas operações para os setores de transportes, locação e construção.

Fundada em 1997, a primeira empresa do grupo — Moremaxx Negócios — marcou o início da atuação empresarial em Rio Verde. O grupo afirma que suas empresas operam de maneira integrada, “exercendo papel relevante no suporte logístico ao agronegócio regional”. Especialmente no transporte de grãos e insumos.

O pedido envolve empresas ligadas ao conglomerado: Moremaxx Negócios, Moremaxx Transportes, EPA Construtora e Incorporadora e Centro Grãos Comércio e Transporte de Cereais.

A empresa afirma que buscou manter a continuidade de suas operações mesmo diante das oscilações do mercado e do aumento progressivo da dependência de financiamentos bancários.

A documentação destaca que as atividades do grupo são conectadas e dependentes entre si. Especialmente no setor de transportes, apontado como o principal eixo operacional.

Principais fatores

O Grupo Moremaxx atribui a deterioração financeira a uma combinação de choques operacionais, cenário macroeconômico adverso e entraves judiciais.

Um dos primeiros eventos citados como ponto crítico ocorreu em maio de 2016, quando um incêndio criminoso destruiu parte significativa da frota e causou danos estruturais à concessionária da empresa.

O episódio teria gerado prejuízos relevantes e obrigado o grupo a recorrer a empréstimos para recomposição de ativos e indenização de clientes.

Endividamento

A partir de 2021, a crise teria se intensificado com fatores estruturais do setor de transportes: alta expressiva do preço do diesel, aumento no custo de pneus e peças e juros elevados e restrição de crédito.

O grupo afirma que dados de faturamento líquido entre 2021 e 2024 indicam trajetória de queda, culminando em prejuízo significativo em 2024.

Outro fator central foi o impacto da crise agroclimática e de preços no campo. Segundo o pedido, a safra regional foi afetada por: seca prolongada, atraso das chuvas e excesso de precipitação durante a colheita.

Além disso, houve forte queda nas commodities. A petição destaca que a saca de soja recuou cerca de 40%, passando de R$ 180 em 2022 para R$ 112 em 2023/2024, reduzindo a demanda e a capacidade de pagamento dos produtores. Com reflexos diretos no transporte de grãos, principal atividade do grupo.

Juros e pressão bancária

Outro ponto relevante citado pela empresa é a cobrança de juros das instituições financeiras. Cita como exemplo um contrato com o Itaú no qual um valor inicialmente recebido de R$ 300 mil resultou em débito total superior a R$ 731 mil, ilustrando o peso do custo financeiro no passivo acumulado.

O grupo apresentou lista inicial de credores com dívida total de R$ 16,5 milhões. O valor ainda poderá ser alterado após a verificação oficial do administrador judicial.

O caso do Grupo Moremaxx evidencia como empresas fortemente dependentes do agronegócio — especialmente no segmento de logística e transporte — estão expostas a múltiplos riscos: volatilidade das commodities, choques climáticos, aumento de custos operacionais, crédito caro e judicializações e bloqueios patrimoniais.

A recuperação judicial surge, assim, como mecanismo para reorganização financeira e tentativa de preservação de atividades essenciais em uma região onde o transporte de grãos é parte estratégica da economia.

Saiba mais: Cenário impõe novos riscos ao agronegócio goiano

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