
A trajetória empreendedora de Weiky Carniello Viega está diretamente ligada à ciência e à pesquisa. Formada em administração, com mestrado em biotecnologia, ela viveu oito anos em Londres antes de retornar ao Brasil.
A decisão de empreender no setor de cosméticos surgiu após a mãe enfrentar um câncer de boca. Episódio que levou Weiky a refletir sobre a composição de produtos de uso diário e o impacto de substâncias químicas na saúde.
A partir dessa experiência, ela passou a estudar alternativas mais naturais e identificou no Cerrado uma oportunidade pouco explorada pela indústria cosmética nacional. Óleos como o de pequi e o de baru, já valorizados no exterior, tornaram-se a base das primeiras formulações desenvolvidas por Weiky.
A ideia evoluiu para a criação da Creio Laboratório de Cosméticos, uma startup instalada em Anápolis. O projeto começou dentro de uma incubadora universitária, onde Weiky desenvolveu os primeiros produtos durante o mestrado. A empresa atua como uma biotech, concentrando no mesmo espaço pesquisa, desenvolvimento e produção.
O produto que se tornou símbolo da empresa é a Pequi Power Balma, uma pomada para dores musculares feita a partir de óleos de pequi e baru. Totalmente natural, vegana e premiada, a formulação ganhou um diferencial adicional com o uso da nanotecnologia, que permite maior penetração dos ativos na pele e, consequentemente, mais eficácia.
“Quando você nanoestrutura o óleo, ele passa a ser melhor absorvido. Isso potencializa propriedades já comprovadas cientificamente, como a ação anti-inflamatória do pequi”, diz ao EMPREENDER EM GOIÁS.
Além da linha de bem-estar, a indústria abriga a marca Tonton Glow, voltada para skincare e maquiagem natural. O primeiro produto desenvolvido foi um batom à base de óleo de baru, pensado inicialmente para atender pessoas com maior sensibilidade, como pacientes oncológicos.
A aceitação do mercado ampliou o público, incluindo adolescentes e consumidores que buscam cosméticos mais limpos e sustentáveis. Hoje, a marca trabalha com gloss, óleos capilares e itens de cuidados com a pele, todos com ingredientes naturais e pigmentos minerais ou vegetais.

Montar a fábrica exigiu superar uma série de etapas regulatórias, incluindo autorizações da Anvisa, Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros e órgãos ambientais. Sem capital próprio suficiente, Weiky buscou recursos em editais de inovação e fomento.
Ao longo de cerca de cinco anos, a startup captou mais de R$ 1 milhão por meio de programas como Centelha, Finep e Tecnova, além de premiações voltadas ao empreendedorismo feminino.
Atualmente, a indústria trabalha com uma equipe de sete pessoas, entre químicas, farmacêuticas, profissionais de gestão e os dois sócios-fundadores, Weiky e o marido, que também é químico. A empresa controla toda a cadeia produtiva, desde a compra de insumos até a fabricação final, priorizando fornecedores regionais de Goiás.
Para ampliar a capacidade produtiva, a empresa está investindo na aquisição de uma máquina de envase automático. O equipamento permitirá produzir cerca de mil unidades por dia, um salto significativo em relação ao volume atual, que gira em torno de algumas centenas de unidades, dependendo do período.
“Antes, a produção era toda manual, o que limitava a escala. Com essa máquina, conseguimos atender melhor a demanda sem comprometer prazos”, explica Weiky.
A procura internacional já existe, especialmente de países como Estados Unidos, Chile e Inglaterra, atraídos pela combinação entre biodiversidade brasileira e inovação tecnológica.

Weiky Viega foi a vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios em Goiás e conquistou o terceiro lugar na etapa nacional, na categoria Ciência e Tecnologia. Para ela, as premiações funcionam como um selo de validação do caminho escolhido.
“Empreender é inovar em ambientes incertos. Esses reconhecimentos mostram que estamos indo na direção certa. O Cerrado tem um potencial imenso. Quando a gente une conhecimento, inovação e propósito, uma dificuldade pode se transformar em um grande negócio”, afirma.