Evento realizado pela Amcham Brasil, em parceria com a Fecomércio-GO, debateu saídas para um ano marcado por eleições e juros altos

O cenário econômico e decisões estratégicas foram o mote da discussão da apresentação da versão goiana do Plano de Voo 2026, realizado nesta sexta-feira (6) pela Amcham Brasil, em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio-GO).
O objetivo do encontro é apoiar líderes empresariais na leitura dos cenários econômicos, políticos e institucionais que poderão impactar o planejamento das empresas ao longo deste ano.
De acordo com o Plano de Voo, 26% dos entrevistados acreditam em um crescimento econômico acima de 15% em 2026; 24% deles preveem que ficará entre 6% e 10%; 19% ue a alta será entre 11% e 15%, e 15% acham que o crescimento oscilar entre 1% a 5%. Além disso, 9% afirmam que será um período de estabilidade e 2% acham que terá uma redução da projeção do crescimento.
Sobre a perspectiva de investimentos, 45% dos entrevistados dizem que manterão e 43% querem aumentar. No entanto, 6% afirmam que irão reduzir, a mesma porcentagem foi de pessoas que não souberam responder.
Desafios
A pesquisa ainda pontuou quais são os principais desafios para os negócios: 73% acreditam que o ano eleitoral pode afetar; 51% pontuaram a desaceleração da economia brasileira, 47% apontaram as taxas de juros, 39% disseram que será segurança jurídica e ambiente regulatório, 38% apontam a disponibilidade de mão de obra e 31% disseram o ambiente geopolítico internacional pode impactar a economia neste ano.
A pesquisa também elencou as prioridades para o próximo governo: 83% disseram que é importante o equilíbrio fiscal e controle dos gastos públicos e 43% apontaram o combate à corrupção.
Os demais pontos elencados foram: segurança pública (29%); redução de taxa de juros (37%), educação (34%) e segurança jurídica e simplificação e regulatória (33%).
O levantamento também destacou que 35% acreditam qque a economia e ambientes de negócios no próximo governo irão melhorar; 26% afirmam que permanecerá igual e 25% dizem que irá piorar. O levantamento contou com 732 respondentes entre 17 de dezembro e 13 de janeiro de 2026.
Juros e eleições
O presidente da Fecomércio, Marcelo Baiocchi, destacou que o cenário econômico em 2026 merece atenção por dois fatores: juros acima dos dois dígitos e por ser um ano eleitoral. “A expectativa com juros da Selic de 15% e um ano eleitoral é um ano ainda muito conturbado”, afirmou.
“Mas, sem dúvida, um ano que vai oferecer oportunidades de negócios com muita precaução, com muito estudo, mas com muita oportunidade de ganhar dinheiro e de poder favorecer a atividade de quem estiver antenado e conectado às informações que foram repassadas hoje”, completou.
Marcelo Baiocchi afirmou que levou para um dos painéis a expectativa dos empresários com o desempenho da economia goiana e com os investimentos que o setor está esperando.
“Também apresentamos a atuação da Federação do Comércio para poder melhorar o ambiente de negócios no Estado de Goiás, na esfera política, na discussão eleitoral durante esse processo que vamos viver e na área de formação de mão de obra”, completa.
Cenário desafiador
Presente na solenidade, Silvia Matos, que é coordenadora do Boletim Macro Híbrido da Fundação Getúlio Vargas, destacou que o cenário econômico brasileiro tem se mostrado desafiador com a inflação, alta dívida pública e taxas de juros elevadas. Por isso, na sua visão, é necessário olhar para um debate eleitoral que foque em uma política fiscal mais segura aos empresários.

“Eu acho que o mais importante para esse ano é a questão do debate eleitoral pensando no próximo governo. A gente sabe que da forma em que crescemos em 2025 e em 2024 é insustentável. De alguma forma, precisamos criar um caminho mais do meio termo, de que tenha uma inflação baixa, uma taxa de juros baixa, mas o Estado também conseguindo pagar as suas contas”, frisou.
Segundo ela, se não conseguir o estado ser funcional, o Brasil terá uma dívida muito alta e essa taxa de juros não cairá. “É necessário discutir a política fiscal, mas de uma forma, que eu digo, mais isenta, mais técnica, não pensando que tem ganhadores e perdedores”, afirma.
Prioridades
Durante a apresentação, os principais pontos levantados foram: o equilíbrio fiscal como principal prioridade esperada para o próximo governo; a relação Brasil–Estados Unidos como eixo central da agenda externa e crescimento projetado associado a ganhos de eficiência.
Também estão na lista expansão do mercado interno, investimentos em transformação digital e inteligência artificial, a importância da previsibilidade e da estabilidade para decisões estratégicas de médio e longo prazo, especialmente em um ano eleitoral.
“O Plano de Voo é uma iniciativa que transforma dados, cenários e percepções do empresariado em reflexões práticas para a tomada de decisão. Trazer esse debate para Goiás reforça o compromisso da Amcham em apoiar empresas com inteligência estratégica, conexão com lideranças e conteúdo qualificado, especialmente em um momento de transição política e econômica”, afirma Paula Bruno Reis, gerente regional da Amcham.