OCB/GO alerta para necessidade de preparo técnico e institucional para ampliar exportações à Europa com o acordo Mercosul-União Europeia.

O avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia abre novas perspectivas para a internacionalização da produção goiana. Mas também impõe desafios importantes relacionados à qualificação técnica, adaptação regulatória e estratégia institucional.
Esse foi o principal ponto defendido pelo presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, durante reunião do Fórum das Entidades Empresariais de Goiás, em Goiânia. Com a participação da embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf.
Segundo Luís Alberto, Goiás possui forte potencial produtivo e já desperta interesse de mercados internacionais, especialmente no segmento cooperativista. No entanto, parte dos produtores e exportadores ainda enfrenta dificuldades para acessar mercados mais sofisticados, como o europeu, que exige elevados padrões técnicos e ambientais.
“Temos produção competitiva e atrativa para a Europa, mas muitos ainda não sabem como acessar esses mercados. Precisamos facilitar esse caminho e preparar melhor nossas empresas”, afirmou.
Durante o encontro, a embaixadora Marian Schuegraf apresentou aos líderes empresariais o estágio atual do acordo Mercosul-União Europeia. Já aprovado pelo Conselho Europeu, segue em processo de ratificação pelos parlamentos nacionais, com expectativa de entrada em vigor a partir de 2026.
O tratado deverá ampliar o acesso de produtos agropecuários e industriais ao mercado europeu, criando oportunidades relevantes para estados com forte vocação exportadora, como Goiás.
Ao mesmo tempo, a diplomata destacou que o novo ambiente comercial exigirá maior atenção a critérios como sustentabilidade, rastreabilidade da produção, conformidade regulatória e padrões ESG. Considerados essenciais para competir no mercado europeu.
Nesse contexto, o cooperativismo foi apontado como um modelo estratégico para transformar exigências regulatórias em vantagens competitivas. Graças à organização coletiva, à governança estruturada e à capacidade de adaptação a novos padrões internacionais.
Segundo Schuegraf, o acordo pode abrir caminhos para parcerias entre cooperativas brasileiras e europeias, além de ampliar o fluxo de investimentos voltados a projetos ligados à transição energética, economia de baixo carbono e inovação no agronegócio e na indústria.
As contribuições discutidas deverão embasar a elaboração de um documento técnico a ser encaminhado ao Itamaraty, ao Ministério da Agricultura e Pecuária e à bancada federal goiana, com o objetivo de fortalecer a participação do estado nas negociações internacionais e ampliar o acesso das empresas locais ao comércio exterior.
O debate reforça a avaliação de que o acordo Mercosul-União Europeia pode representar uma oportunidade estratégica para Goiás ampliar sua presença global. Desde que governo, setor produtivo e cooperativas avancem conjuntamente na preparação para atender às novas exigências do comércio internacional.