sábado, 7 de março de 2026
Cooperativismo impulsiona liderança feminina em Goiás

Cooperativismo impulsiona liderança feminina em Goiás

Número de mulheres na presidência de cooperativas aumentou 88% nos últimos 4 anos

6 de março de 2026

Ihasminy Teixeira, fundadora e presidente da Cooperativa Floryá, formada apenas por mulheres da agricultura familiar

Nos últimos anos, as mulheres têm ampliado sua presença em setores que majoritariamente são dominados por homens, com destaque para o setor agrícola. Atualmente, 686 mulheres ocupam cargos de gestão no cooperativismo goiano. Os ramos com maior número de lideranças femininas são o Agropecuário (202), Saúde (140) e Trabalho, Produção, Bens e Serviços (127).

 As mulheres presidem 47 cooperativas em Goiás, 34 ocupam a vice-presidência, 72 estão em diretorias e 466 atuam em conselhos, como titulares ou suplentes. Cerca de 44% dessas líderes participam do conselho de administração ou diretoria de suas cooperativas, 53% estão em conselhos fiscais e 3% atuam em diretorias contratadas.

 A presença feminina na governança das cooperativas apresentou avanços relevantes entre 2022 e 2026. O crescimento mais expressivo nesse período ocorreu nas presidências: o número de mulheres passou de 25 para 47, uma alta de 88%. Levando em conta os últimos 10 anos, a liderança feminina cooperativista mais do que triplicou. Em 2016, eram apenas 205. No ramo agropecuário, o número quadruplicou, indo de 50 a 202, e no ramo saúde dobrou, indo de 70 a 140.

 Protagonismo no agro

As cooperativas agrícolas formadas exclusivamente por mulheres ou nas quais a força de trabalho feminina alcança protagonismo se destacam nesse cenário. Um bom exemplo é a Cooperativa Mista dos Agricultores e Agricultoras de Mineiros (Coopermin), presidida por Zenaide Jesus Almeida. Zenaide está há oito anos à frente da cooperativa, na qual as mulheres representam 39 dos 52 cooperados.

Há oito anos, Zenaide Jesus Almeida (no meio)  preside a Coopermin, na qual as mulheres representam 39 dos 52 cooperados

 Em 2013, quando iniciou como cooperada, Zenaide percebeu que a direção da cooperativa, composta apenas por homens à época, tinha algumas dificuldades que poderiam ser superadas. Após se destacar no trabalho, Zenaide decidiu assumir uma posição de liderança. Começou como suplente do conselho fiscal, depois tornou-se secretária e, finalmente, chegou à presidência. Sua gestão trouxe um novo patamar de desenvolvimento para a Coopermin, que hoje comercializa frutas, polpas, pães, queijos e outros produtos vegetais.

 “A mulher tem um olhar mais delicado para as coisas. Olhamos o ambiente com todos os olhos. Eu via que a cooperativa tinha um potencial grande, mas a direção tinha medo e estava acomodada. Cheguei à conclusão, também com apoio de outras mulheres, que eu deveria assumir a liderança”, afirmou a líder cooperativista.

Mulheres

 Ihasminy Teixeira, fundadora e presidente da Cooperativa Floryá, formada apenas por mulheres da agricultura familiar, também tem uma história singular de liderança no cooperativismo. A dirigente entende que a agricultura ainda é vista como um segmento masculino, mas sabe que é necessário ampliar a participação feminina.

“Nós temos uma visão mais ampla, humana, diversa e igualitária. As mulheres possuem mais sensibilidade, e isso torna a gestão mais apurada, o que também favorece a inovação nas nossas atividades”, afirmou a dirigente.

 Hoje, a Floryá está presente nos municípios de Bela Vista de Goiás, Caiapônia, Cristianópolis, Goiânia, Goiás, Mambaí e São Miguel do Passa Quatro. A cooperativa produz e comercializa mais de 100 produtos, muitos deles derivados de alimentos nativos do Cerrado, como mel, baru e pequi.

 Ambas reconhecem a evolução dos últimos anos, mas acreditam que ainda há muitos desafios a serem superados e avanços a serem alcançados. “Temos que começar a plantar essa semente na infância. É difícil para uma mulher deixar de dar maior atenção à sua casa para estar à frente de uma cooperativa. Mas é gratificante, principalmente quando você vê que os cooperados estão se desenvolvendo”, reflete Zenaide.

 Empoderamento feminino

Ao longo das últimas décadas, o Sistema OCB/GO tem incentivado a ampliação da presença e participação das mulheres no cooperativismo goiano, seja na atração de mais cooperadas para o modelo de negócios ou no estímulo à ocupação de cargos de liderança. De acordo com o presidente da entidade, Luis Alberto Pereira, “isso é feito por meio de políticas de inclusão, criação de comitês, capacitações, reconhecimento do protagonismo e empoderamento feminino. A implantação do comitê estadual de mulheres ‘Elas pelo Coop’, por exemplo, foi um marco para fortalecer a participação feminina nas cooperativas”, afirmou.

 Tanto por meio do comitê estadual quanto daqueles constituídos pelas próprias cooperativas, o Sistema OCB/GO realiza programas de formação para mulheres, palestras e encontros voltados ao incentivo da atuação feminina em papéis de liderança e maior responsabilidade. Os eventos também tratam de temas como mercado, inovação, gestão e desenvolvimento profissional.

 Para Luís Alberto, apesar dos avanços ainda há muitos desafios a serem vencidos. Ele cita barreiras culturais, falta de dados, presença de estereótipos e outros obstáculos que impedem uma melhor avaliação e promoção das mulheres. Isso resulta, por vezes, em desigualdade salarial. No entanto, o dirigente reforça que o cooperativismo é um modelo de negócio que preza pela equidade.

 “O modelo cooperativista já nasce democrático, mas é preciso transformar princípios em prática estruturada. Também é fundamental revisar processos internos, combater vieses inconscientes e preparar a nova geração. Em resumo: metas, formação, cultura e governança”, comenta Luís Alberto Pereira.

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