Número representa 12% da população feminina em idade de trabalhar. As mulheres também somam 435 mil dos negócios ativos

Goiás tem 374 mil mulheres empreendedoras, segundo o estudo Perfil da Mulher Empreendedora, divulgado pelo Sebrae Goiás nesta sexta-feira (6), que traça um panorama sobre quem são e como atuam as mulheres que comandam negócios no território goiano.
De acordo com a pesquisa, as empreendedoras representam 12% da população feminina em idade de trabalhar. Entre os cerca de 1 milhão de pequenos negócios ativos em Goiás, aproximadamente 435 mil (44%) são liderados por mulheres.
Segundo a analista da Unidade de Gestão Estratégica do Sebrae Goiás, Polyanna Marques Cardoso, o levantamento busca ampliar a compreensão sobre esse público e incentivar novas iniciativas empresariais.
“As informações trazem um retrato socioeconômico das mulheres empreendedoras goianas. São dados e histórias que podem inspirar muitas outras mulheres a seguirem o caminho do empreendedorismo, conquistando autonomia financeira e realizando seus próprios sonhos”, afirma.
Números
O estudo mostra que as empreendedoras goianas têm idade média de 43 anos e, em sua maioria, são negras (53%). A escolaridade também se destaca: 38% possuem ensino superior. Mesmo assim, ainda há desigualdade de renda. Em média, os homens ganham 35% a mais que as mulheres, diferença que chega a 56% entre profissionais com nível superior.
Apesar do cenário, houve avanço na última década. O rendimento médio das empreendedoras cresceu 44% em dez anos, chegando a cerca de R$ 3.723 mensais.
A pesquisa também aponta mudanças sociais importantes: 53% das mulheres empreendedoras são chefes de família e muitas conciliam o negócio com as tarefas domésticas: 38% trabalham a partir de casa.
Microempreendedoras
Entre os negócios liderados por mulheres, quase metade é formada por microempreendedoras individuais (MEI). Em Goiás, são 214.121 mulheres nessa categoria, o que representa 49% das empresas ativas comandadas por elas.
Grande parte desses negócios ainda está em fase inicial: 60% têm até 3,5 anos de funcionamento. Os principais setores de atuação são serviços pessoais, como beleza e estética, comércio de vestuário e alimentação.
O empreendedorismo feminino também tem impacto direto na renda familiar. De acordo com o estudo, 76% das empreendedoras têm no negócio a principal fonte de renda da família.
Apesar da relevância econômica, os desafios persistem. 78% relatam dificuldades financeiras, sendo que 39% apontam o acesso ao crédito como principal obstáculo. Além disso, a digitalização ainda é limitada: 75% não utilizam inteligência artificial nos negócios, e 25% enfrentam exclusão digital.