
Mais de 108 mil mulheres trabalham no setor industrial goiano. A maioria (82%) está na indústria de transformação. Os segmentos com maior presença proporcional feminina são confecção de vestuário (69%) e o setor farmoquímico e farmacêutico (51%). A fabricação de alimentos, embora registre participação de 33%, concentra o maior número absoluto de trabalhadoras: 37,1 mil.
A informação é da Federação das Indústrias do Estado de Goiás, ao destacar que as mulheres estão ampliando a busca por qualificação. É justamente nesse ponto que a formação profissional começa a redesenhar o cenário.
Dados de matrículas do Senai revelam crescimento da participação feminina em cursos relacionados a segmentos industriais, inclusive aqueles com menor presença de mulheres no mercado. Entre as áreas com maior participação feminina, estão têxtil e vestuário (90%), química (66%), logística (64%), gestão (64%) e alimentos e bebidas (64%).
Em contrapartida, áreas como minerais não metálicos (11%), combustíveis (12,3%), produtos de metal (14,2%) e manutenção e acessórios de máquinas e equipamentos (14,3%) seguem predominantemente masculinos, um retrato que dialoga com a divisão histórica de funções no mercado de trabalho brasileiro.
Segmentos
Dados de matrículas do Senai revelam crescimento da participação feminina em cursos relacionados a segmentos industriais, inclusive aqueles com menor presença de mulheres no mercado. Entre as áreas com maior participação feminina, estão têxtil e vestuário (90%), química (66%), logística (64%), gestão (64%) e alimentos e bebidas (64%).
O movimento chama atenção principalmente em logística e química, áreas tradicionalmente associadas a ambientes industriais mais técnicos e operacionais. O interesse crescente indica que as escolhas formativas podem ampliar o leque de atuação feminina para além das funções administrativas.
Ao mesmo tempo, o levantamento revela que os cursos como supervisor inovador (3.671 matrículas), assistente de operações logísticas (3.352) e assistente ambiental (2.914) estão entre os mais procurados no geral, sinalizando a busca por qualificação alinhada às demandas atuais da indústria.
Conforme a Fieg, a presença feminina nesses cursos reforça uma tendência: elas não estão apenas ocupando vagas, mas investindo em capacitação para disputar cargos de maior responsabilidade.
Incentivo
Para o diretor de Educação e Tecnologia do Sesi e do Senai, Claudemir Bonatto, o avanço da presença feminina na indústria está diretamente ligado ao acesso à qualificação profissional.
“O Sesi e o Senai sempre valorizaram a participação feminina no processo de ensino-aprendizagem. No Senai, temos programas específicos para formação de mulheres, como cursos na área de vestuário, corte e costura, mecânica automotiva e assentador cerâmico”, observou.
Avanço

No recorte da indústria em Goiás, os números revelam um cenário de estabilidade. Dados compilados pela Gerência de Desenvolvimento Industrial da Federação das Indústrias do Estado (Fieg) apontam que, apesar das oscilações no volume total de empregos entre 2014 e 2024, a participação feminina na indústria se manteve estável ao longo da última década.
“Temos o desafio de ampliar a presença feminina em alguns setores da indústria, mas é importante observar que, mesmo quando o porcentual geral de participação se mantém, as mulheres estão avançando em qualidade de ocupação”, afirma o presidente da Fieg, André Rocha.
Também lembrou que a Fieg tem mais mulheres em cargos de liderança, em funções técnicas mais qualificadas, com maior responsabilidade e melhor remuneração.