Em 12 meses, o Estado ganhou 1.264 novas investidoras. Número acompanha a tendência nacional de maior participação feminina

Goiás conta com 36.605 mulheres investindo na B3 (Bolsa de Valores). Em 12 meses, o Estado ganhou 1.264 novas investidoras. Em 2024, o número de mulheres que buscaram a bolsa de valores era 35.341.
O avanço acompanha a tendência nacional de maior participação feminina no mercado financeiro e reflete mudanças de comportamento e busca por autonomia financeira.
Aportes maiores
No Brasil, o movimento também se consolidou nos últimos anos. Desde 2021, a base de investidores cresceu 41%, chegando a 1.436.232 mulheres, o equivalente a cerca de 26% do total de investidores na bolsa.
Especialistas apontam que a expansão não se limita à entrada de novas investidoras. Estudos da própria B3 indicam que, apesar de ainda serem minoria, as mulheres costumam realizar aportes médios maiores e montar carteiras mais diversificadas, com foco no longo prazo. Perfil que contribui para a estabilidade e crescimento da presença feminina no mercado de renda variável.
Mudanças culturais
Para a empresária e assessora de investimentos Roberta Almeida, o aumento da participação feminina está ligado a mudanças culturais e comportamentais que ganharam força nos últimos anos.
“Hoje a gente vive uma divisão muito clara entre o mundo antes e depois da pandemia. As mulheres passaram a buscar mais autonomia e mais controle sobre a própria vida financeira”, afirma.
Segundo ela, esse movimento também está ligado à ampliação do debate sobre bem-estar e planejamento de vida. “A pauta da saúde financeira entrou muito forte. As mulheres estão buscando profissionais para apoiar nessa jornada de construção de patrimônio e liberdade financeira”, explica.
Perfil
De acordo com a assessora, o interesse feminino pelo mercado de investimentos também aparece na forma como elas se relacionam com o tema. “A mulher é muito curiosa. Quando chega para uma reunião, ela quer entender onde está investindo, quais são os riscos e qual é o horizonte de prazo. As conversas costumam ser mais detalhadas”, diz.
Atualmente, cerca de 70% do público atendido por Roberta é composto por mulheres. Muitas delas, segundo a especialista, começaram a investir mais tarde por fatores culturais.
“Muitas relatam que, durante muito tempo, quem cuidava do dinheiro era o pai ou o marido. Isso vem de gerações anteriores. Agora vemos uma mudança de comportamento e cada vez mais mulheres assumindo esse papel”, afirma.
Na comparação com investidores homens, Roberta destaca diferenças no perfil de decisão. “A mulher costuma ser mais cautelosa e também mais planejadora. Ela se preocupa com a reserva de emergência e pensa na construção de uma carteira de longo prazo para objetivos maiores”, explica.
Embora ainda exista forte presença feminina em aplicações de renda fixa, a diversificação tem ampliado. “Hoje vemos mulheres interessadas em diferentes classes de ativos, inclusive renda variável e investimentos internacionais”, afirma.
Avanço
Além do crescimento entre investidores, a participação feminina também avança dentro do próprio setor financeiro. Um levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais indica que as mulheres representam 35,4% da força de trabalho nos mercados de capitais brasileiros.
Para Roberta, esse movimento tende a continuar nos próximos anos. “Falar de investimento hoje é falar de planejamento de vida. O diferencial está em caminhar com profissionais de confiança e ter uma visão de longo prazo”, conclui.