sábado, 21 de março de 2026
Empresas goianas terão custo bilionário com fim da escala 6×1

Empresas goianas terão custo bilionário com fim da escala 6×1

Empresas da indústria e do comércio criticam proposta de redução de jornada de trabalho e temem impacto na economia.

21 de março de 2026

Conforme a CNI, Goiás tem 1.429.809 vínculos celetistas ativos (carteira assinada)

A redução da jornada de trabalho terá forte impacto para os empreendedores goianos e, consequentemente, para a economia do estado. É o que revela o levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O estudo destaca que o fim da escala 6×1 pode elevar os custos com empregados em R$ 8,5 bilhões (7,4%) no estado, que tem 1.429.809 de vínculos celetistas ativos (carteira assinada), caso as empresas mantenham o total de horas trabalhadas por meio de horas extras.

Em um segundo cenário, a recomposição das horas reduzidas seria realizada pela contratação de outros trabalhadores. Neste caso, Goiás teria os custos elevados em R$ 5,66 bilhões (4,9%).

Considerando a economia nacional, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais pode elevar em até R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados, o que representa um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos das empresas.

André Rocha: Nós deveríamos ter mais audiências públicas, mais debates mostrando os prós e os contras”

Indústria preocupada

Em entrevista ao EMPREENDER EM GOIÁS, o presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), André Rocha, deixou claro sua preocupação. Para ele, há dois debates diferentes: o fim da jornada 6×1 e a redução da jornada de trabalho.

O dirigente elencou que várias categorias já trabalham em escalas 5×2 e que o maior problema nesse aspecto seria com as categorias e empresas que trabalham com turnos diferentes, inclusive no próprio poder público.

“Acho que a melhor questão para resolver isso são as convenções coletivas de trabalho ou os acordos coletivos de trabalho, até porque um dos grandes princípios da reforma trabalhista é que o acordado prevalecesse sobre o legislado. Então as categorias se acertam dentro da realidade setorial e local”, comentou.

Já quanto à redução das horas de trabalho, André Rocha entende que o debate é mais complexo. Citou que o país ainda sofre com uma produtividade baixa e um falso status de pleno emprego, já que grande parte da população vive na informalidade e não quer sair dela.

O presidente da Fieg também mencionou que perderíamos competitividade com países vizinhos que possuem maiores cargas horárias. Critica o uso político para debater o tema.

“O debate deveria ser mais aprofundado e coerente. Infelizmente, o calendário eleitoral motiva questões de populismo, porque é uma pauta também populista. Não estou querendo dizer se é justo ou injusto, mas isso acaba contaminando um pouco o debate.

Nós deveríamos ter mais audiências públicas, mais debates mostrando mais os prós e os contras, comparando com os nossos países vizinhos”, afirmou. Para ele, a falta desse debate pode gerar consequências muito ruins.

Marcelo Baiocchi: “O que tem de ser discutido não é a jornada de horário de trabalho, mas a liberdade de contratação”

Impacto no comércio

As mudanças podem gerar forte impacto também no comércio. Um parecer técnico da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) constatou que a folha salarial do setor pode aumentar em 21% e gerar custo adicional de R$ 122 bilhões por ano no Brasil. De acordo com o relatório, o impacto pode atingir 31,5 milhões de brasileiros.

A CNC afirmou que mais de 90% dos trabalhadores tanto do varejo quanto do atacado cumprem jornadas acima de 40 horas semanais, tornando o setor mais exposto à mudança. O aumento na folha salarial também provocaria uma alta de 13% nos preços do consumidor.

Para Marcelo Baiocchi, presidente da Fecomércio-GO e vice-presidente da CNC, é impossível entregar os mesmos produtos e serviços com 20% a menos de carga horária. O dirigente entende que haverá um forte impacto inflacionário e um enorme risco para as micro e pequenas empresas, que não vão conseguir sobreviver.

“A nossa conclusão é que trata-se de uma proposta inadequada. O governo, já que está tão preocupado com o trabalhador, deveria abrir mão dos encargos que tem na folha para haver a compensação. O que tem de ser discutido não é a jornada de horário de trabalho, mas a liberdade de contratação”, frisou Baiocchi. Para ele, é preciso ter mais formatos de escala.

Além disso, criticou o uso político do tema. “A justificativa é única e exclusivamente eleitoreira. Não estão se importando com os impactos econômicos e sociais que isso vai causar”, frisou,

Pesquisa

A população brasileira, no entanto, discorda da opinião do setor produtivo. Uma pesquisa do Datafolha divulgada no último dia 14/03 revelou que 71% dos brasileiros são a favor da redução da jornada de trabalho.

No entanto, 27% afirmaram que não deve haver mudanças. Apenas 3% não responderam.

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