quarta-feira, 25 de março de 2026
Conflito no Oriente Médio já atinge economia goiana

Conflito no Oriente Médio já atinge economia goiana

Irã é o terceiro maior parceiro comercial de Goiás, para onde exportou mais de US$ 399 milhões

25 de março de 2026

A escalada da guerra no Oriente Médio já começa a produzir efeitos indiretos na economia de Goiás, especialmente sobre custos de produção, logística e importações. A relação comercial com o Irã — terceiro maior parceiro de exportações goianas — coloca o setor produtivo em alerta.

Dados recentes mostram que Goiás exportou cerca de US$ 399 milhões ao Irã em 2025, com destaque para commodities do agronegócio, como milho e soja. Ao mesmo tempo, as importações, ainda que menores (US$ 1,2 milhão), incluem produtos químicos e farmacêuticos considerados estratégicos para segmentos industriais.

O principal impacto, no entanto, não está na interrupção direta dessas relações comerciais, mas nos efeitos colaterais do conflito. A instabilidade geopolítica tem pressionado o câmbio, elevado o preço do petróleo e encarecido o frete internacional — fatores que atingem em cheio cadeias produtivas dependentes de insumos importados e logística intensiva.

Efeitos indiretos

A gerente de Internacionalização da Fieg, Juliana Tormin, explica que a preocupação do setor está concentrada justamente nesses efeitos indiretos. 

“A principal preocupação do segmento em relação aos conflitos no Irã não está centrada em uma interrupção imediata do comércio, mas sim nos efeitos indiretos que podem afetar custos e a previsibilidade dos negócios”, afirma.

Juliana Tormin: “O principal impacto negativo para Goiás tende a ser uma pressão sobre a base de custos da produção”

Segundo ela, três pontos são monitorados de perto: o possível aumento no custo dos produtos importados desses países, a elevação do preço do diesel e do frete, e a maior volatilidade cambial.

Esses fatores, destaca, impactam diretamente a competitividade da produção goiana, sobretudo na agroindústria. Apesar disso, ainda não é possível afirmar que já há um impacto imediato no segmento. 

Pressão

Na prática, o encarecimento de insumos como fertilizantes e defensivos agrícolas já começa a pressionar o campo, enquanto o aumento do diesel afeta o transporte de cargas – modal predominante no Brasil – e, consequentemente, o agronegócio. 

“O principal impacto negativo para Goiás tende a ser uma pressão sobre a base de custos da produção e,não necessariamente, uma queda imediata nas exportações”, frisou.

Ela avalia que, caso o conflito se prolongue, os efeitos devem se espalhar por diferentes setores. “Pode haver redução das margens para as indústrias exportadoras. Dessa forma, o efeito esperado é gradual e transversal, atingindo diferentes cadeias produtivas do estado.”

Estratégias

Apesar do cenário desafiador, o setor produtivo já adota estratégias para reduzir riscos. Entre elas estão a diversificação de fornecedores, busca por maior eficiência logística e fortalecimento da gestão de custos e câmbio. “A capacidade de adaptação do setor produtivo será fundamental para enfrentar os desafios”, afirma Juliana Tormin.

Ela destaca ainda que, mesmo com o Irã sendo um parceiro relevante, há espaço para redirecionamento das exportações. “Existe possibilidade de abertura de novos mercados e fortalecimento da presença em países que já são parceiros”, pondera.

Para os próximos meses, a avaliação é de cautela. “O cenário tende a ser desafiador, porém ainda sob controle. No curto prazo, a tendência é de volatilidade nos preços de energia e pressão sobre os custos produtivos”, conclui.

Comércio e serviços

No setor de comércio e serviços, a preocupação também é com o efeito cascata da alta de custos. O presidente da Fecomércio-GO, Marcelo Baiocchi, ressalta o impacto direto do petróleo e do diesel sobre toda a economia.

“A guerra no Irã é muito preocupante, visto que ela está impactando diretamente na exportação de petróleo. E o Brasil é dependente do óleo diesel, parte dele é importado, 20% é importado”, afirma.

Marcelo Baiocchi: “Quando aumenta o preço do diesel, como está ocorrendo, afeta toda a economia”

Segundo ele, o aumento no combustível tende a se espalhar por toda a cadeia. “Quando aumenta o preço do diesel, como está ocorrendo, afeta toda a economia: reajuste de preços em todos os produtos, porque 80% do nosso transporte é rodoviário”, diz.

Baiocchi acrescenta que o comércio também sente os efeitos indiretos. “Todos os demais produtos que compõem esse custo acabam subindo, como o polietileno da embalagem, matéria-prima que compõe alguns produtos”, frisou.

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