
A mobilidade urbana da Região Metropolitana de Goiânia entra em uma nova fase com a implantação da primeira planta de produção de biometano em Goiás em escala comercial, liderada pela EcoGeo, empresa do grupo goiano Ecopar, e da GeoGreen BioGás, de São Paulo.
Instalada em Guapó (GO), a unidade representa um marco para a transição energética no Estado e reforça o posicionamento de Goiânia como referência nacional em transporte público sustentável.
Produção
Com investimento aproximado de R$ 140 milhões e instalada em uma área de 100 mil metros quadrados, a nova indústria contará com biodigestores e uma planta de purificação capaz de transformar resíduos orgânicos em biometano, um combustível renovável e de baixo impacto ambiental.
A previsão é que a operação tenha início em 24 meses, com capacidade inicial de produção de 30 mil metros cúbicos por dia. O volume é suficiente para abastecer cerca de 100 ônibus diariamente.
Inovação
Além de inovadora, a proposta traz benefícios ambientais relevantes. O biometano será produzido a partir da decomposição de resíduos orgânicos, como lodos diversos, biomassa e subprodutos da agroindústria, substituindo o diesel e reduzindo significativamente as emissões de gás carbônico (CO₂).
Trata-se de um combustível renovável, produzido localmente, que contribui para a economia circular e para a diminuição da dependência de combustíveis fósseis.
Esse modelo também favorece maior previsibilidade de custos, ao reduzir a exposição às variações do mercado internacional do petróleo e às oscilações cambiais, garantindo mais estabilidade financeira à operação. Soma-se a isso o fato de que a produção descentralizada de energia fortalece a segurança energética regional, reduz custos logísticos e aumenta a resiliência do abastecimento.
Transporte coletivo
A iniciativa está diretamente conectada à modernização da Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC), que já incorpora ônibus elétricos e, agora, passa a operar com veículos movidos a biometano.
O projeto prevê, inclusive, a expansão do uso do biocombustível para uma frota de até 500 ônibus, consolidando Goiânia como a primeira capital brasileira a contar com uma operação expressiva baseada nesse tipo de energia limpa.

Lançamento
O lançamento da EcoGeo e a apresentação dos primeiros ônibus articulados movidos a biometano em operação regular no Brasil serão realizados nesta sexta-feira, às 16h, no terminal Padre Pelágio, que será reinaugurado pelo governo de Goiás, requalificado e modernizado.
A obra marca a remodelação dos terminais e estações ao longo do BRT Leste-Oeste, principal corredor do transporte coletivo da capital. O evento contará com a presença do governador Ronaldo Caiado, do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, e de representantes das empresas que participam dos projetos, autoridades e convidados.
Benefícios
A implantação da EcoGeo deve gerar cerca de 40 empregos diretos e mais de 100 indiretos, além de fomentar uma nova cadeia produtiva ligada à bioenergia em Goiás. Ao mesmo tempo, fortalece a economia local e estimula a inovação industrial.
A infraestrutura associada ao projeto inclui ainda a construção do primeiro gasoduto estadual para transporte de biometano, da GoiásGás, conectando a usina às garagens e pontos de abastecimento do transporte coletivo em um trajeto de aproximadamente 25 quilômetros. Enquanto a planta não entra em operação, o abastecimento será garantido por unidades já existentes do grupo em outros estados.
O avanço ocorre em um contexto mais amplo de modernização do sistema de transporte público, que inclui a requalificação de terminais, uso de energia solar, modernização da iluminação em LED e ampliação da frota sustentável. Atualmente, o sistema atende cerca de 530 mil passageiros por dia em 19 municípios, consolidando-se como um dos maiores programas de mobilidade urbana em execução no País.
Com a nova planta de produção de biometano da EcoGeo, Goiás dá um passo decisivo rumo à economia de baixo carbono, unindo tecnologia de ponta e a vocação local para inovação e sustentabilidade. O projeto posiciona o Estado de Goiás na vanguarda da transição energética no Brasil, com impactos positivos para o meio ambiente, a sociedade e a economia.