quarta-feira, 1 de abril de 2026
LDC projeta investir R$ 100 milhões em Goiás

LDC projeta investir R$ 100 milhões em Goiás

Trading aposta em novo modelo com créditos de ICMS e projeta expansão industrial em Goiás.

31 de março de 2026

Companhia figura entre as maiores tradings agrícolas do mundo

A adesão da Louis Dreyfus Company (LDC) ao novo mecanismo criado pelo governo de Goiás para liberação de créditos acumulados de ICMS por meio de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), sinaliza um movimento relevante de expansão industrial no estado e reforça a estratégia local de atrair capital para a agroindústria exportadora.

Embora o valor não tenha sido oficialmente confirmado pela companhia, informações do portal The Agribiz indicam que a multinacional projeta investir cerca de R$ 100 milhões na ampliação de sua unidade de esmagamento de oleaginosas em Jataí, uma das estruturas industriais mais estratégicas da empresa na região Centro-Oeste. A planta integra a cadeia de processamento de soja e derivados, etapa essencial para agregar valor à produção antes da exportação.

O investimento ocorre no contexto do novo programa estadual, em vigor desde agosto de 2025, que permite transformar créditos acumulados de ICMS em instrumentos de financiamento produtivo. O modelo prevê taxa de juros de 10% ao ano e estruturação de fundos com metade dos recursos provenientes dos créditos tributários e a outra metade captada no mercado financeiro, direcionados principalmente a empresas exportadoras com operações em Goiás.

Expansão industrial

Na prática, o mecanismo reduz o custo de capital para expansão industrial e cria uma alternativa moderna de financiamento para empresas que acumulam créditos tributários em função do perfil exportador. A adesão da LDC é interpretada como um sinal de confiança na nova política e pode abrir caminho para outras companhias do agronegócio aderirem ao modelo.

A estratégia goiana segue uma tendência nacional de uso de instrumentos financeiros estruturados para estimular investimentos em cadeias agroindustriais. Em abril de 2025, o Paraná lançou o FIDC Agro Paraná, com recursos iniciais de R$ 350 milhões. Na sequência, a Desenvolve SP estruturou um fundo voltado ao setor de biocombustíveis entre R$ 120 milhões e R$ 150 milhões, em parceria com a BTG Asset.

Goiás passa agora a disputar protagonismo nesse novo ambiente de financiamento ao agronegócio.

Tradings

A presença da LDC no estado acompanha o avanço da fronteira agroindustrial goiana nas últimas décadas. Integrante do grupo das chamadas “ABCD” — ao lado de Archer Daniels Midland, Bunge e Cargill — a companhia figura entre as maiores tradings agrícolas do mundo. Com atuação em mais de 100 países e presença em diversas etapas da cadeia global de commodities como soja, milho, café, açúcar, algodão e suco cítrico.

No Brasil desde 1942, quando adquiriu a Coinbra, a empresa mantém operações industriais e logísticas consideradas estratégicas para sua plataforma global de exportação. Em Goiás, além da unidade de esmagamento em Jataí, a companhia opera estrutura em Aparecida de Goiânia voltada ao segmento de insumos e fertilizantes, reforçando sua integração com a cadeia produtiva regional.

A possível ampliação da planta no sudoeste goiano reforça a tendência de verticalização do agronegócio no estado, com maior processamento local da soja e fortalecimento das rotas de exportação. Ao transformar créditos tributários em instrumento de investimento, Goiás busca acelerar a atração de capital privado e ampliar a competitividade da agroindústria regional em um momento de crescente disputa entre estados por novos projetos estruturantes no setor.

Saiba também: Goiás foi o 3º maior produtor de grãos do país em 2025

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