Estimativa foi divulgada nesta terça-feira (7/04) pela CNI, ao destacar que a indústria será o setor mais impactado

A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode provocar uma queda de 0,7% no PIB brasileiro, o equivalente a R$ 76,9 bilhões, segundo levantamento inédito divulgado nesta terça-feira (7) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A entidade destaca que a indústria é o setor que mais será impactado, com retração de 1,2% no PIB setorial, o que representaria uma perda de R$ 25,4 bilhões. Depois da indústria, os maiores impactos serão serviços, com perda de R$ 43,5 bilhões; comércio, com recuo de R$ 11,1 bilhões, além de quedas menores na agropecuária (-0,4%) e na construção (-0,3%).
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a queda do PIB industrial em 1,2% pode acelerar o processo de desindustrialização e terá impacto em toda a cadeia produtiva. “A maior redução das horas trabalhadas aumentará a exposição brasileira ao mercado externo. A consequência será a perda de competitividade do produto nacional. Assim, a nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, destaca Alban.
Cálculos
A CNI utilizou um modelo de Equilíbrio Geral Computável (EGC) para calcular os efeitos do aumento de custos causado pela redução da carga horária semanal na economia brasileira.
“Os cálculos mostram que, como consequência da elevação do custo do trabalho, haverá, ao fim do processo de ajuste da economia, aumento generalizado dos preços. O impacto será sobre bens e serviços para os consumidores finais, como também sobre insumos e matérias-primas para as empresas, o que gera perda de competitividade,” destaca.
A indústria defende a separação do debate técnico sobre a redução da jornada de trabalho do calendário eleitoral. “A discussão da redução de jornada é legítima, mas qualquer decisão dessa dimensão deve levar em conta a avaliação de impacto e seus efeitos econômicos. A produtividade no Brasil ainda está muito aquém de países semelhantes e há escassez de mão de obra. Por isso, ainda não é hora de alterar a jornada de trabalho”, afirma Ricardo Alban.