quinta-feira, 9 de abril de 2026
Fieg e 35 sindicatos são contra mudanças na jornada de trabalho

Fieg e 35 sindicatos são contra mudanças na jornada de trabalho

Em manifesto, entidades do setor industrial em Goiás alertam para aumento de custos, pressão sobre preços e riscos à competitividade da indústria brasileira

9 de abril de 2026

André Rocha: “A discussão precisa ser conduzida com responsabilidade e clareza conceitual”

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), ao lado de 35 sindicatos industriais goianos, aderiu ao manifesto nacional coordenado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) que reúne mais de 400 entidades contrárias a propostas de redução da jornada de trabalho sem ajuste de produtividade.

O documento, divulgado nesta quinta-feira (09/04), expressa preocupação do setor produtivo com os impactos econômicos e sociais das mudanças em discussão no país.

O posicionamento conjunto destaca que a redução da carga horária semanal com manutenção salarial pode elevar significativamente os custos das empresas, com reflexos diretos sobre preços, investimentos e geração de empregos. 

As entidades defendem que qualquer alteração precisa ser baseada em dados técnicos e considerar a realidade econômica brasileira.

Responsabilidade

Em Goiás, a adesão da Fieg reforça o alinhamento da indústria local com o debate nacional. O presidente da entidade, André Rocha, afirma que a discussão precisa ser conduzida com responsabilidade e clareza conceitual.

“A busca por mais equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é legítima, mas não podemos confundir escala com jornada. O que está em debate, na prática, é a redução da carga horária com manutenção de salários, e isso exige cautela para não penalizar quem gera empregos”, afirma.

Ele ressalta que o Brasil ainda enfrenta entraves estruturais que impactam a produção e a competitividade. “Temos um ambiente de negócios com custos elevados e produtividade que cresce de forma lenta. Reduzir a jornada por imposição legal, sem avanços concretos em eficiência, tende a aumentar despesas, pressionar preços e comprometer a capacidade de investimento das empresas”, pontua.

O presidente da Fieg também defende que a negociação coletiva é o caminho mais adequado para tratar do tema. “Cada setor tem suas particularidades. A legislação já permite que trabalhadores e empregadores construam soluções equilibradas por meio de acordos e convenções. Engessar esse processo pode enfraquecer o diálogo e limitar alternativas que hoje funcionam na prática”, acrescenta.

Riscos

O manifesto ainda chama atenção para o risco de perda de competitividade do Brasil frente a outros países. Em um cenário de concorrência internacional, o aumento de custos internos pode reduzir a presença da indústria nacional em mercados externos e dificultar a atração de novos investimentos.

Outro ponto destacado é que países que avançaram na redução da jornada o fizeram após longos ciclos de ganho de produtividade, com investimento em educação, tecnologia e inovação. Para o setor industrial, tentar antecipar esse processo sem as condições necessárias pode gerar efeitos adversos para a economia.

Ao aderir ao manifesto, a Fieg reforça a defesa de um debate técnico, baseado em evidências e no diálogo entre os setores envolvidos. A entidade sustenta que o avanço das relações de trabalho deve caminhar junto com o aumento da produtividade e a sustentabilidade das empresas, garantindo desenvolvimento econômico e geração de oportunidades.

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