Os governos do Brasil e da China assinaram nesta segunda-feira (7/7) um memorando de entendimento para pesquisa e planejamento de implantação da Ferrovia Transoceânica. Trata-se de uma longa ferrovia que liga o Oceano Atlântico, no litoral brasileiro, ao Oceano Pacífico, no litoral peruano. Atravessaria o continente Sul-Americano de Leste a Oeste. Detalhe: passando por Goiás.
Com investimento estimado em pelo menos US$ 50 bilhões e extensão total de 4.400 quilômetros, a Transoceânica ligaria o porto de Chancay, no Peru, aos portos no litoral do Rio de Janeiro e da Bahia. Mas com conexões com portos no Maranhão e no Espírito Santo, usando outras ferrovias brasileiras já prontas ou em construção.
O projeto, pelo lado brasileiro, ficaria sob responsabilidade da Infra S.A. Pelo lado chinês, através da China Railway Economic and Planning Research Institute. Para Leonardo Ribeiro, secretário Nacional de Transporte Ferroviário, a parceria representa “um passo estratégico para o setor de transporte no Brasil, especialmente na área ferroviária”.
Os estudos em andamento preveem ao menos três conexões com a Ferrovia Norte-Sul, além da integração com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, ainda em construção. Ambas também passam por Goiás. A expectativa é que esse novo corredor logístico reduza em até dez dias o tempo de transporte de produtos brasileiros até a China, hoje feito via Oceano Atlântico.
Segundo Leonardo Ribeiro, a ideia é implantar um corredor ferroviário estruturante para cargas, conectando Bahia, Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre. A produção da região central do país seria levada por trilhos até o litoral do Pacífico, para embarque no porto de Chancay
A Transoceânica facilitaria consideravelmente a entrada dos produtos chineses na América do Sul. E também as exportações de produtos brasileiros como soja e minérios para o país asiático. Encurtaria em 10 mil km o trajeto das commodities brasileiras exportadas para a China, com rotas mais diretas sem passar pelo Canal do Panamá.
Segundo especialistas, a parceria entre Brasil, Peru e China tem como objetivo a integração da América do Sul com o mercado asiático. A construção da Transoceânica pode ser um ótimo investimento, capaz de alavancar o mercado da América Latina.
Não somente com a China, mas também com outros países, pois os trens têm um custo menor e uma capacidade de carga maior. Além disso, a ferrovia futuramente poderá ser utilizada também para transporte de passageiros.