Se a relação com os EUA passa por incertezas, Letícia Borges destaca a China como mercado para os produtos goianos.
O cenário comercial global é de incertezas. Principalmente por conta da guerra tarifária proposta pelo governo de Donald Trump (Estados Unidos). No entanto, apesar da tensão geopolítica, as empresas goianas têm boas oportunidades internacionais, segundo Letícia Borges, gerente de operações da empresa h trade.
As exportações de Goiás somam US$ 5,4 bilhões de janeiro a maio deste ano e as importações, US$ 2,2 bilhões. Isso gerou um superávit de mais de US$ 3,2 bilhões no período, aumento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2024, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Se a relação comercial com os Estados Unidos passa por momento de incertezas, Letícia Borges destaca que a China tem se consolidado como o principal mercado para os produtos goianos, responsável por mais de 50% das vendas externas de Goiás. O mercado norte-americano é o segundo maior destino.
“A China é um grande parceiro brasileiro e tenho certeza que vai continuar a ser. Só me preocupa aumentar demais a importação de produtos chineses, que tem boa parte de sua produção em mercadorias acabadas, o que prejudica os fabricantes brasileiros e goianos. É preciso haver equilíbrio”, frisa.
Ainda assim, a especialista diz que a China oferece “grandes oportunidades” para o Brasil e, em particular, para Goiás. Pois necessita escoar (vender) a sua produção em larga escala, gerando preços mais atrativos.
Para Letícia Borges, os benefícios de uma empresa se internacionalizar são muitos. “Pode conseguir condições comerciais mais competitivas ao importar um insumo ao invés de comprar nacionalmente. Além disso, diversifica não só suas fontes de compra, mas também de vendas. Se o mercado nacional depende de uma sazonalidade, o internacional pode ser independente”, afirma.
Internacionalizar um produto não é positivo apenas para o mercado exterior, mas também para o mercado nacional. Produtos vendidos em outros países geram mais confiabilidade e se tornam diferenciados nacionalmente.
“O empresário precisa ter uma mente focada no mercado exterior entendendo que pode não ser agora, pode não ser amanhã, mas que ele precisa estar pronto para a oportunidade quando acontecer. (Internacionalizar) Não é um custo, mas um investimento”, diz a especialista.
Alguns segmentos apresentam desafios ainda maiores, como o de saúde ou de alimentos, muito regulados não só para fabricação, mas também para importação ou exportação. É preciso ter diversas documentações, certificações e um cuidado diferenciado com a carga.
“Contudo, depois que a empresa estabelece uma relação com o cliente no exterior e faz sua primeira exportação ou importação, este processo deixa de ser um bicho de sete cabeças”, frisa Letícia Borges.
Com sede em Santa Catarina e filial em Goiás, a h trade é uma empresa do H. Egidio Group, com sede em Aparecida de Goiânia (GO). Especializada em comércio internacional, atua com importação, exportação e captação de produtos e parceiros internacionais.