sexta-feira, 29 de agosto de 2025
Goiás e Japão avançam em parceria para explorar terras raras

Goiás e Japão avançam em parceria para explorar terras raras

Estado detém 25% das reservas mundiais e busca atrair tecnologia e investimentos para fortalecer a cadeia de valor da mineração sustentável.

29 de agosto de 2025

O governador recebeu no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia, uma comitiva da Embaixada do Japão no Brasil.

O governo de Goiás e o do Japão avançam nas negociações para estabelecer uma parceria estratégica na exploração e processamento de óxidos de terras raras (OTR) no estado. As reservas goianas representam cerca de 25% da disponibilidade mundial desse tipo de minério, essencial para o desenvolvimento tecnológico e para a transição energética global.

Na última quinta-feira (28/8), o governador Ronaldo Caiado recebeu no Palácio Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia, uma comitiva da Embaixada do Japão no Brasil. Ficou definido que a interlocução entre os dois governos será conduzida oficialmente pela embaixada japonesa, reforçando a seriedade do projeto.

Segundo o embaixador Teiji Hayashi, o encontro foi um “avanço concreto e real” para o fortalecimento da parceria. A delegação japonesa seguirá nesta sexta-feira (29/8) para Minaçu, onde visitará a mineradora Serra Verde, além de conhecer a planta fabril da Aclara Resources, em Aparecida de Goiânia.

Goiás como polo mundial

Os 17 elementos de terras raras têm aplicação direta em setores estratégicos, como turbinas eólicas, veículos elétricos, baterias, equipamentos militares e data centers. Goiás já se destaca como o único ponto fora da Ásia a realizar a produção em larga escala, o que torna o estado peça-chave no mercado internacional.

O governador Caiado enfatizou que Goiás não busca ser apenas exportador de matéria-prima. A meta é atrair tecnologia japonesa para ampliar as etapas de separação e refino do minério, hoje dominadas pela China. “Chegamos a um entendimento para avançar na cooperação, não apenas na exploração, mas também no processamento das terras raras”, destacou.

Investimentos

Além da Serra Verde, que já produz em escala comercial elementos como disprósio, térbio, neodímio e praseodímio, outros projetos estão em andamento. Em Nova Roma o investimento previsto de R$ 2,8 bilhões no processamento de argilas iônicas, com potencial de gerar 5,7 mil empregos. Em Aparecida de Goiânia a multinacional chilena Aclara Resources inaugurou em abril uma planta fabril com aporte inicial de R$ 30 milhões.

Esses investimentos consolidam Goiás como referência em mineração sustentável e em geração de oportunidades.

Para fortalecer o setor, Caiado sancionou a Lei nº 23.597, que cria a Autoridade Estadual de Minerais Críticos. A medida estabelece governança para todas as etapas da mineração e abre espaço para um fundo de pesquisa, atraindo investidores e acelerando projetos. Segundo o governador, o processo de licenciamento ambiental em Goiás é ágil, podendo ser concluído em até três meses.

O secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima, reforçou a estratégia do estado: “Queremos desenvolver toda a cadeia de valor das terras raras em Goiás, criando empregos, renda e inovação”.

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