terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Produtores goianos de cachaça estão otimistas para 2026

Produtores goianos de cachaça estão otimistas para 2026

A cachaça artesanal produzida em Orizona (GO) ganhou reconhecimento do INPI por sua procedência e reputação.

27 de dezembro de 2025

A produção de cachaça em Orizona remonta a 1840, quando desbravadores mineiros se estabeleceram na região

A cachaça artesanal produzida em Orizona (GO) passou a contar oficialmente com a Indicação Geográfica (IG) concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O reconhecimento confirma a procedência e a reputação da bebida, cuja produção está diretamente ligada à formação histórica do município. Os produtores veem como um marco para a consolidação do setor e a ampliação do alcance comercial.

A tradição da cachaça em Orizona remonta a 1840, quando desbravadores mineiros se estabeleceram na região e levaram consigo a receita da bebida. Desde então, o modo de produção tem sido transmitido de geração em geração. Ajudando a construir a identidade local e a fama do produto no estado. Essa singularidade foi um dos elementos que sustentaram o pedido de Indicação Geográfica.

Atualmente, os produtores do município goiano fabricam mais de 400 mil litros da bebida por ano.

Para o presidente da Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça de Orizona (Apacor), Edgar de Castro Correa, a concessão da IG representa um momento histórico para a cidade e para quem vive da atividade. “Essa indicação é o reconhecimento e a valorização da nossa cachaça e de seus produtores. É um dia histórico, estamos em festa”, afirmou ao EMPREENDER EM GOIÁS.

Segundo ele, o selo funciona como um divisor de águas, ao garantir oficialmente a autenticidade do produto. “Vamos em frente porque temos muitos objetivos a serem alcançados”, completou.

Melhorias

Edgar de Castro enumera as melhorias para os produtores que a certificação pode trazer. “Com esse selo de indicação geográfica e reconhecimento documentado, a gente tem certeza que vai poder trabalhar em novas praças, vendendo uma cachaça por um valor mais justo. Justamente por isso: porque ela realmente agora, comprovadamente, vende um destino onde tem uma fama, tem uma cultura, tem uma qualidade.”

Além disso, o presidente pontua que o selo pode ajudar a diminuir a informalidade de produtos na região e ajudar também em uma possível exportação do produto. “Além do mercado interno, vamos chegar em praças que não estávamos presentes. Também podemos começar a sonhar com a possibilidade de exportação. Nós temos alguns projetos em andamento que, agora, está todo mundo apertando o passo para que aconteça”, afirmou.

Segundo ele, muitos produtores também estão deixando a informalidade. Só vai poder ter acesso ao selo quem comprovadamente tiver um produto de qualidade. “Então assim, até nesse sentido, a gente vai conseguir trazer o pessoal para a formalidade. Trazer também novos produtores, pessoas que nunca pensaram em fazer cachaça, para aumentar o volume de produção anual do município”, afirma.

Edgar também destacou o papel das instituições e de produtores que acreditaram no projeto desde o início. Ele citou o apoio do Sebrae Goiás e de pessoas que contribuíram para viabilizar o processo. “Todo esse envolvimento foi de suma importância para esse feito histórico para nossa cidade, o reconhecimento da indicação geográfica”, disse.

Sede da Cachaçaria Éden, uma das mais antigas do município de Orizona

Tradição

Entre os produtores envolvidos, José Natal Barbosa é apontado como um dos entusiastas da iniciativa. Professor universitário aposentado, ele se dedica há cerca de 20 anos à produção de cachaça em Orizona, buscando aliar tradição e tecnologia. Para ele, o resultado é fruto de um esforço coletivo. “Tínhamos vontade, mas não sabíamos como fazer, mas o Sebrae nos mostrou esse caminho”, afirmou. “Não fui eu que fiz, nós que fizemos. Esse é o sentido”, completou.

Além de reforçar a identidade da cachaça de Orizona, a Indicação Geográfica tende a ampliar a presença do produto em feiras e eventos nacionais e internacionais, além de estimular novas iniciativas, como a organização de uma cooperativa. Para os produtores, o desafio agora é transformar o reconhecimento oficial em desenvolvimento econômico sustentável, mantendo viva uma tradição que acompanha a história do município desde o século XIX.

Notoriedade

O analista e gestor estadual de Indicação Geográfica do Sebrae Goiás, João Luiz Prestes Rabelo, explicou que o trabalho para alcançar o reconhecimento levou cerca de um ano e meio e exigiu a comprovação da notoriedade da bebida. “Tivemos que provar a notoriedade do produto e que a cachaça fez a cidade ficar famosa”, afirmou.

Segundo ele, a Indicação Geográfica agrega valor à produção local e abre novas possibilidades de mercado. “Com ela, a cachaça passa a ter mais valor agregado e pode se expandir até para o mercado internacional”, destacou.

João Luiz ressaltou ainda que o processo envolveu a construção de regras técnicas, histórico e a criação de um conselho regulador. “Para se conseguir uma IG é necessária uma entidade forte para ser a guardiã”, explicou, ao citar o papel da Apacor. Ele também mencionou parcerias com o Ministério da Agricultura, universidades e outras instituições que contribuíram para fortalecer a cadeia produtiva.

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