terça-feira, 13 de janeiro de 2026
De Anápolis ao dólar e de volta: quando esperar vale milhões

De Anápolis ao dólar e de volta: quando esperar vale milhões

Caminhoneiro goiano muda para os EUA em 2003, volta em 2011, troca terreno por 32 caminhões bitrem e hoje vive de renda.

29 de dezembro de 2025

Paulo Mendes e o terreno no fundo que virou 32 caminhões e um condomínio de chácaras

A história do empresário goiano Paulo Mendes, 53 anos, de Anápolis (GO), sintetiza três pilares que frequentemente moldam trajetórias de sucesso no país. Visão patrimonial, resiliência diante de crises e capacidade de esperar o tempo certo.

Sua decisão — tomada em 2003, em meio a dívidas e pressão financeira — de não vender barato um terreno às margens da BR-060 e buscar alternativa de renda nos Estados Unidos redefiniu completamente seu patrimônio quase uma década depois.

Em 2003, o cenário era desfavorável: mercado imobiliário desaquecido, ventania destruindo um galpão recém-construído e três filhas em idade universitária pressionando o orçamento familiar.

Sem fluxo de caixa e diante da possibilidade de “queimar” o imóvel por um valor baixo, o então caminhoneiro tomou a decisão mais difícil. Deixar o Brasil, preservar a terra e apostar no dólar.

Confira essa impressionante história contada primeiro pelo engenheiro e influenciador digital Tiago Skol (@tiagoskolusa), que mora nos Estados Unidos desde 2006.

Trabalho pesado

Entre 2004 e 2011, Paulo Mendes e sua esposa viveram nos Estados Unidos. Ele passou pelas funções que surgiam: entregador de jornais na madrugada, serviços de paisagismo, gramados em clube de golfe e construção civil.

Mas sempre enviava mensalmente parte do dinheiro que ganhava para sustentar a família em Anápolis, pagar a faculdade das três filhas e quitar um apartamento financiado. Além de preservar o terreno rodoviário, verdadeiro ativo-âncora da estratégia.

Sua esposa, com experiência prévia em salão no Brasil, abriu o próprio espaço de beleza nos EUA, garantindo reforço de caixa enquanto o plano original permanecia inalterado: voltar com o imóvel intacto e recomeçar os negócios em melhor momento econômico.

A virada

Quando a família retornou ao Brasil, em 2011, encontrou um ambiente muito diferente daquele deixado oito anos antes. A região de Anápolis e o eixo logístico da BR-060 haviam se valorizado, impulsionados por expansão urbana, demanda industrial e crescente relevância rodoviária.

A negociação decisiva veio “com a pessoa certa, na hora certa”, como relata o próprio empresário. O terreno — cerca de 24 mil m² — foi vendido em uma operação que entregou a ele 32 conjuntos completos de caminhões bitrem. Entre cavalo mecânico, carretas e parcela complementar em dinheiro.

Alguns caminhões nunca chegaram fisicamente à garagem do empresário — foram transferidos “no número”, via contrato e documentação, como ocorre em transações corporativas do setor.

O que quase foi liquidado em 2003 por sobrevivência, em momento de crise, tornou-se um salto patrimonial. Capaz de recolocar Paulo no mercado de transporte rodoviário em escala, reposicionar sua renda e abrir a porta para novos investimentos.

Modelo de renda

Após consolidar a frota e reorganizar as contas, Paulo decidiu reduzir a dependência da atividade operacional do transporte — considerada volátil, custosa e sujeita a riscos conjunturais — migrando para ativos imobiliários.

Essa transição incluiu a construção de um prédio com 9 apartamentos e 1 sala comercial, hoje totalmente alugados em Anápolis, gerando renda recorrente. Implantação de loteamento de chácaras entre Anápolis e Brasília, às margens da BR-060. E criação do condomínio Colina dos Pássaros, com 126 lotes de 1.000 m² a 2.300 m², em área estratégica com vocação residencial e de lazer.

No modelo de vendas, os lotes são ofertados a partir de cerca de R$ 150 mil, com parcelamento longo direto com os proprietários. A estratégia combina: valorização de longo prazo da terra, fluxo de caixa contínuo pela venda parcelada, renda pulverizada em contratos, reduzindo riscos típicos de atividades cíclicas.

Hoje, a família administra in loco o empreendimento — mostra terrenos, acompanha obras, enfrenta o processo burocrático de escrituras e licenças. E confirma que o maior risco imobiliário brasileiro não é o mercado, mas o tempo e a burocracia.

Lições econômicas de uma trajetória improvável

1 – Não vender ativo estratégico em momento de baixa

A maior alavancagem veio não do dólar — mas da decisão de esperar oito anos para realizar o patrimônio.

2 – Fluxo de caixa exige diversificação

Transporte rodoviário entrega receita, mas com alto risco operacional. Imóveis pulverizados geram renda estável — e permitem “viver da renda”.

3 – Retorno externo não precisa ser acumulativo

A experiência nos EUA não rendeu fortuna, mas comprou tempo, pagou dívidas, manteve a formação das filhas e evitou a liquidação do ativo estratégico.

4 – Infraestrutura + logística continuam sendo motor do Centro-Oeste

A BR-060 segue como um dos principais corredores econômicos do país — e empreendimentos posicionados nela capturam esse valor.

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