Grupo goiano, que se consolidou no setor automotivo, estuda expansão em logística, incorporação e produção agrícola.

O Grupo Ramasa avalia um novo ciclo de investimentos que pode chegar a R$ 20 milhões a partir deste ano. Os recursos devem ser direcionados para a ampliação de áreas já exploradas pela holding, como logística e incorporação imobiliária, além da análise de novos nichos do agronegócio, com destaque para o mercado de café.
Com quase cinco décadas de atuação, a empresa goiana está presente em diferentes regiões do país. Conforme a CEO e sócia-diretora Mariana Rassi, em entrevista ao EMPREENDER EM GOIÁS, o plano de investimentos ainda está em fase de estudos. Mas faz parte de uma estratégia contínua de diversificação e fortalecimento da operação.
A logística aparece como um dos eixos centrais dessa avaliação. O Grupo Ramasa atua no setor desde o fim da década de 1980, com a implantação do Porto Seco Centro-Oeste, em Anápolis. Estrutura que hoje é referência na movimentação de cargas industriais e do agronegócio.
A experiência acumulada na gestão de armazenagem, aduana e modais de transporte serve de base para a análise de novos projetos. Que podem ampliar a capacidade logística ou modernizar operações existentes.
Outra frente em avaliação é a incorporação imobiliária, atividade que está na origem do grupo. Fundado inicialmente na construção civil, o Grupo Ramasa participou da consolidação de empreendimentos residenciais e comerciais de alto padrão em Goiânia e no Distrito Federal.
A possibilidade de retomar ou expandir esse segmento ocorre em um momento de aquecimento do mercado imobiliário em algumas regiões do Centro-Oeste, impulsionado pela expansão urbana e pelo aumento da demanda por empreendimentos voltados a públicos específicos.
A atuação na hotelaria começou com a abertura de um hotel em Maceió, seguida por empreendimentos em Goiânia. Com o tempo, os imóveis passaram a operar sob bandeiras internacionais, acompanhando o movimento de expansão de redes globais no Brasil. Hoje, o grupo possui hotéis em Goiás, Tocantins e Alagoas.
O grupo mantém operações no agronegócio, com produção de soja, cana-de-açúcar e mel, concentradas principalmente em municípios goianos como Itumbiara, Goianésia, Senador Canedo e Bela Vista, além de propriedades no Tocantins.
Em Itumbiara, o grupo chegou a operar uma usina de açúcar e etanol no início dos anos 2000, posteriormente vendida, mantendo-se como fornecedor de matéria-prima. A produção é voltada majoritariamente à exportação.
Agora, há estudos para emergir no mercado de café. A análise considera fatores como viabilidade produtiva, logística de escoamento e posicionamento no mercado, especialmente voltado à exportação, modelo já adotado em outras culturas agrícolas do grupo.

A entrada no segmento automotivo ocorreu em 1992, com a aquisição da operação Toyota em Goiás. A partir desse movimento, o grupo passou a expandir gradualmente sua presença no varejo automotivo e hoje reúne um portfólio com diversas marcas.
Entre elas estão Toyota, Nissan, Mitsubishi, Jaguar, Land Rover, Omoda & Jaecoo, além de operações no segmento de duas rodas, como Triumph, Bajaj, Ducati, Suzuki e Kawasaki. Também representa a BRP, fabricante de veículos recreativos, no Centro-Oeste.
Atualmente, o Grupo Ramasa está presente em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Tocantins, Pará, Pernambuco e Alagoas. Mas estuda novas expansões. Segundo Mariana Rassi, o foco mais imediato está no setor automotivo, com previsão de entrada em Mato Grosso do Sul a partir de 2026.
“A expectativa é de um crescimento de cerca de 50% no segmento automotivo em 2026, repetindo o desempenho registrado em 2025”, afirma. Esse movimento deve resultar na criação de aproximadamente 150 a 200 novos postos de trabalho, somando-se a um quadro que já ultrapassa mil colaboradores, considerando todas as operações do grupo.
Mariana Rassi destaca que um dos pilares do crescimento do grupo foi a construção de uma cultura organizacional baseada em relacionamento e fidelização. “O foco sempre foi criar um DNA claro, reconhecível em todas as operações, independentemente do segmento”, afirma.
Essa estratégia inclui desde a padronização do atendimento até investimentos em tecnologia, como sistemas próprios de CRM, que permitem mapear o perfil e o histórico dos clientes.
A adaptação às mudanças no comportamento do consumidor também tem orientado decisões recentes. Com a digitalização das vendas e a redução do fluxo presencial nas concessionárias, o grupo passou a investir em experiências que estimulem o cliente a frequentar os espaços físicos, como cafeterias internas, áreas de convivência e serviços personalizados.
Outro ponto de destaque é a agenda ambiental. O Grupo Ramasa foi a primeira concessionária do Brasil a obter a certificação ISO 14001, ainda em 2008, quando o tema era pouco difundido no setor.
Desde então, mantém práticas voltadas à sustentabilidade, como uso de insumos biodegradáveis, investimentos em usinas fotovoltaicas e ações de redução de impactos ambientais nas operações.
Mariana Rassi atua há quase duas décadas no setor automotivo, um ambiente historicamente dominado por homens. Para ela, o desafio maior sempre foi demonstrar capacidade de gestão e adaptação a um mercado em constante transformação. “O setor mudou completamente e continua mudando. Gostar de mudança virou uma necessidade”, resume.