Juros médios cobrados das famílias subiram 7 pontos em 2025. BC alerta para impacto da Selic alta e aumento do endividamento.

Os juros médios cobrados das famílias brasileiras voltaram a subir em 2025 e encerraram o ano em 60,1% ao ano, segundo dados do Banco Central. Uma alta de 7 pontos percentuais no acumulado do ano. O que reflete a combinação entre Selic elevada e maior peso de linhas de crédito com custo mais alto, como o cartão de crédito rotativo.
O destaque do levantamento foi justamente o aumento da participação do rotativo na carteira de famílias. Um segmento que opera com juros muito acima da média do mercado. Mesmo com recuo de 13,6 pontos percentuais ao longo de 2025, a taxa média do rotativo ainda alcançou 438% ao ano, uma das mais elevadas do sistema financeiro.
Apesar da limitação imposta desde janeiro de 2024 para conter o superendividamento, os juros do rotativo continuam variando. Porque a regra não interfere diretamente na taxa pactuada no momento da contratação do crédito.
O crédito rotativo é acionado quando o consumidor paga menos do que o valor total da fatura do cartão, quitando apenas o mínimo. Na prática, o saldo restante se transforma em um empréstimo de curto prazo, com incidência imediata de juros.
Após 30 dias, os bancos costumam parcelar automaticamente essa dívida, migrando para o chamado cartão parcelado — modalidade que também registrou forte aumento em 2025.
Segundo o BC, a taxa do cartão parcelado avançou 17,9 pontos percentuais em 2025, chegando a 189% ao ano. Outra linha que pressionou os custos do crédito foi o crédito pessoal não consignado, com alta de 13,4 pontos percentuais, encerrando o ano em 116,8% ao ano.
Essas operações fazem parte do chamado crédito livre, no qual os bancos têm autonomia para definir taxas e condições, diferente do crédito direcionado, que segue regras governamentais e atende setores como habitação, rural e infraestrutura.
No segmento empresarial, a taxa média de juros do crédito livre terminou 2025 em 25% ao ano, com incremento de 3,3 pontos percentuais no ano.
Os destaques foram:
Já nas linhas direcionadas, os juros foram bem menores:
Outro indicador relevante foi o avanço do spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas finais cobradas dos consumidores. Em 2025, o spread subiu para 21,4 pontos percentuais, alta de 3,9 pp no ano.
Apesar do crescimento do crédito, houve desaceleração. As concessões totalizaram R$ 786,4 bilhões, alta de 9,1% — abaixo dos 15,5% registrados em 2024. O estoque total de empréstimos do sistema financeiro alcançou R$ 7,122 trilhões, crescimento de 10,2% no ano.
O cenário de juros elevados também se refletiu na inadimplência. Em dezembro, os atrasos acima de 90 dias atingiram: 4,1% no crédito total, 5% nas operações com famílias e 2,5% nas empresas.
O endividamento das famílias chegou a 49,8% da renda acumulada em 12 meses em novembro. Sem considerar financiamento imobiliário, o índice ficou em 31,3%. Já o comprometimento da renda com dívidas alcançou 29,3%, com aumento de 2,2 pp em 12 meses.