Grupo de Rio Verde entra em recuperação judicial após crise no agro, alta de custos, bloqueios judiciais e juros bancários.

A recuperação judicial do Grupo Moremaxx trouxe à tona a trajetória de um conglomerado familiar com raízes no agronegócio do Sudoeste de Goiás. Que, ao longo de quase três décadas, expandiu suas operações para os setores de transportes, locação e construção.
Fundada em 1997, a primeira empresa do grupo — Moremaxx Negócios — marcou o início da atuação empresarial em Rio Verde. O grupo afirma que suas empresas operam de maneira integrada, “exercendo papel relevante no suporte logístico ao agronegócio regional”. Especialmente no transporte de grãos e insumos.
O pedido envolve empresas ligadas ao conglomerado: Moremaxx Negócios, Moremaxx Transportes, EPA Construtora e Incorporadora e Centro Grãos Comércio e Transporte de Cereais.
A empresa afirma que buscou manter a continuidade de suas operações mesmo diante das oscilações do mercado e do aumento progressivo da dependência de financiamentos bancários.
A documentação destaca que as atividades do grupo são conectadas e dependentes entre si. Especialmente no setor de transportes, apontado como o principal eixo operacional.
O Grupo Moremaxx atribui a deterioração financeira a uma combinação de choques operacionais, cenário macroeconômico adverso e entraves judiciais.
Um dos primeiros eventos citados como ponto crítico ocorreu em maio de 2016, quando um incêndio criminoso destruiu parte significativa da frota e causou danos estruturais à concessionária da empresa.
O episódio teria gerado prejuízos relevantes e obrigado o grupo a recorrer a empréstimos para recomposição de ativos e indenização de clientes.
A partir de 2021, a crise teria se intensificado com fatores estruturais do setor de transportes: alta expressiva do preço do diesel, aumento no custo de pneus e peças e juros elevados e restrição de crédito.
O grupo afirma que dados de faturamento líquido entre 2021 e 2024 indicam trajetória de queda, culminando em prejuízo significativo em 2024.
Outro fator central foi o impacto da crise agroclimática e de preços no campo. Segundo o pedido, a safra regional foi afetada por: seca prolongada, atraso das chuvas e excesso de precipitação durante a colheita.
Além disso, houve forte queda nas commodities. A petição destaca que a saca de soja recuou cerca de 40%, passando de R$ 180 em 2022 para R$ 112 em 2023/2024, reduzindo a demanda e a capacidade de pagamento dos produtores. Com reflexos diretos no transporte de grãos, principal atividade do grupo.
Outro ponto relevante citado pela empresa é a cobrança de juros das instituições financeiras. Cita como exemplo um contrato com o Itaú no qual um valor inicialmente recebido de R$ 300 mil resultou em débito total superior a R$ 731 mil, ilustrando o peso do custo financeiro no passivo acumulado.
O grupo apresentou lista inicial de credores com dívida total de R$ 16,5 milhões. O valor ainda poderá ser alterado após a verificação oficial do administrador judicial.
O caso do Grupo Moremaxx evidencia como empresas fortemente dependentes do agronegócio — especialmente no segmento de logística e transporte — estão expostas a múltiplos riscos: volatilidade das commodities, choques climáticos, aumento de custos operacionais, crédito caro e judicializações e bloqueios patrimoniais.
A recuperação judicial surge, assim, como mecanismo para reorganização financeira e tentativa de preservação de atividades essenciais em uma região onde o transporte de grãos é parte estratégica da economia.