Goiás ganha destaque com projetos estratégicos de minerais críticos, atraindo investimentos bilionários.

A crescente disputa global por minerais estratégicos abriu uma nova janela de oportunidades para o Brasil — e especialmente para Goiás. Isso se consolidar como elo relevante nas cadeias internacionais de suprimentos. A avaliação foi reforçada pelo secretário de Estado adjunto dos Estados Unidos para Assuntos Econômicos, Energéticos e Empresariais, Caleb Orr.
O norte-americano classificou o Brasil como parceiro estratégico na área de minerais críticos e destacou projetos em território goiano como exemplos do potencial dessa cooperação. Segundo Orr, Washington tem interesse em financiar iniciativas ao longo de toda a cadeia produtiva. Incluindo não apenas a mineração, mas também as etapas de processamento e refino, consideradas essenciais para reduzir a concentração global e aumentar a segurança econômica.
Durante a apresentação, o representante norte-americano citou diretamente dois empreendimentos localizados em Goiás: Serra Verde e Clara. Ambos voltados à produção de terras raras, grupo de minerais essenciais para tecnologias avançadas e para a transição energética.
No caso da Serra Verde, a Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC) prevê financiamento estimado em US$ 565 milhões. Sinalizando o interesse estratégico dos EUA em fortalecer cadeias produtivas consideradas críticas. “Os Estados Unidos veem o Brasil como parceiro estratégico na construção de cadeias de suprimentos resilientes, seguras e diversificadas”, afirmou Orr. Destacando que o país possui reservas relevantes e crescente capacidade industrial.
Na prática, a sinalização norte-americana reforça a possibilidade de Goiás assumir papel mais relevante na inserção do Brasil nas novas rotas globais de minerais críticos. Além das reservas minerais, o estado reúne características que favorecem esse posicionamento. Como infraestrutura logística em expansão, ambiente favorável ao investimento e crescente diversificação industrial — fatores que podem atrair novos aportes internacionais.
Se confirmados, esses investimentos tendem a impulsionar a geração de empregos qualificados, estimular inovação tecnológica e ampliar o protagonismo goiano nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Colocando o estado no centro de uma agenda econômica marcada pela transição energética e pela reconfiguração das cadeias globais.
O secretário adjunto enfatizou que o foco norte-americano não está apenas na extração. Mas principalmente nas etapas posteriores da cadeia, onde há maior valor agregado e maior concentração geográfica. Segundo ele, a proposta é desenvolver soluções “ganha-ganha”, com o processamento e o refino ocorrendo em locais economicamente viáveis dentro de uma estratégia de diversificação global.
Esse posicionamento converge com a estratégia do governo brasileiro, que busca evitar que o país permaneça apenas como exportador de matérias-primas, priorizando investimentos capazes de agregar valor industrial e tecnológico. A concentração global dessas etapas — atualmente dominadas por poucos países — é vista como risco estratégico para cadeias produtivas essenciais, especialmente em setores ligados à eletrificação, defesa e inteligência artificial.
A discussão integra um movimento mais amplo de reorganização das cadeias globais, impulsionado pela demanda crescente por minerais utilizados em baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, equipamentos eletrônicos e sistemas avançados de tecnologia.
Orr destacou a participação brasileira na reunião ministerial sobre minerais críticos realizada recentemente em Washington, com delegações de 54 países e da União Europeia, considerada sinal positivo para o aprofundamento da cooperação bilateral.
Segundo ele, as Américas ocupam posição central na segurança das cadeias globais, especialmente no fornecimento de lítio, cobre e terras raras. A estratégia inclui fortalecer parcerias regionais, ampliar investimentos em infraestrutura crítica e criar alternativas a fornecedores considerados menos confiáveis.
Questionado sobre possíveis contrapartidas comerciais, Orr afirmou que o objetivo é construir um acordo sólido envolvendo minerais críticos, embora tenha evitado antecipar resultados para o encontro previsto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington. Ele indicou, porém, que as negociações comerciais em curso — incluindo discussões sobre tarifas — passam por entendimentos ligados a minerais estratégicos e cadeias produtivas associadas.
A iniciativa Forge (Fórum de Engajamento Geoestratégico em Recursos), lançada pelos EUA com estimativa de US$ 30 bilhões em projetos, busca justamente ampliar investimentos e fortalecer cadeias transparentes, além de gerar empregos e estimular cooperação internacional.