Atividade econômica brasileira cresce 2,5% em 2025, com forte avanço da agropecuária e moderação nos demais setores.

A atividade econômica brasileira encerrou 2025 em trajetória de crescimento moderado, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), do Banco Central, avançou 2,5% no acumulado do ano, sustentado principalmente pela forte expansão da agropecuária.
O resultado reforça a leitura de um ciclo econômico marcado por equilíbrio delicado entre crescimento e controle inflacionário, em um ambiente ainda influenciado pela política monetária restritiva. Leia-se juros altos.
Entre os setores, a agropecuária apresentou o maior avanço, com alta de 13,1%, evidenciando o peso do agronegócio na dinâmica econômica nacional. A indústria cresceu 1,5%, enquanto o setor de serviços — principal componente do PIB brasileiro — registrou elevação de 2,1%.
Sem considerar o desempenho do campo, o IBC-Br teria avançado 1,8% no ano, indicador que sugere expansão mais moderada nos segmentos urbanos da economia.
O IBC-Br reúne informações sobre indústria, comércio, serviços, agropecuária e arrecadação tributária, sendo utilizado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) como referência para decisões sobre a taxa básica de juros.
A taxa Selic permanece em 15% ao ano — maior nível desde julho de 2006 — e tem sido o principal instrumento do Banco Central para conduzir a inflação em direção à meta. A autoridade monetária mantém postura cautelosa: juros elevados encarecem o crédito e reduzem o consumo, contribuindo para o controle de preços, mas também limitam a velocidade da expansão econômica.
Na ata da última reunião, o Copom sinalizou que deve iniciar o ciclo de redução dos juros em março, embora sem indicar a magnitude do corte. O comitê destacou que a atividade econômica segue em trajetória de moderação, operando acima do potencial de crescimento sem gerar pressão inflacionária significativa.
Ainda assim, fatores como a resiliência do mercado de trabalho e expectativas inflacionárias persistentes justificam a manutenção da política monetária em patamar restritivo.
Embora seja amplamente acompanhado pelo mercado financeiro, o IBC-Br não substitui o Produto Interno Bruto (PIB), indicador oficial divulgado pelo IBGE. O índice do Banco Central utiliza metodologia própria e serve principalmente como ferramenta para a formulação da política monetária.
O PIB consolidado de 2025 será divulgado em 3 de março. No terceiro trimestre do ano passado, a economia brasileira cresceu 0,1%, resultado interpretado pelo IBGE como estabilidade. Em 2024, o PIB havia registrado expansão de 3,4%, consolidando o quarto ano consecutivo de crescimento e a maior alta desde 2021, quando a economia avançou 4,8%.
Os dados mais recentes reforçam o cenário de transição econômica: inflação controlada, crescimento positivo, porém moderado, e expectativa de início de flexibilização monetária. A combinação desses fatores tende a definir o ritmo da economia brasileira em 2026, com a atenção do mercado voltada principalmente para o início do ciclo de cortes da Selic e seus impactos sobre crédito, investimentos e consumo.