sexta-feira, 20 de março de 2026
Em 30 anos, economia goiana cresce quase 358%

Em 30 anos, economia goiana cresce quase 358%

Estudo destaca que o agronegócio e indústria têm contribuído para os índices positivos

20 de março de 2026

Hoje, cerca de 40% do PIB do estado está vinculado ao agronegócio

Goiás registrou crescimento econômico de 357,7% nos últimos 30 anos, alcançando a sexta colocação entre os estados brasileiros, segundo o estudo Uma Análise Histórica Regional do Crescimento Econômico Real nos Estados Brasileiros, 1995–2025, produzido pela Brasil em Mapas com base em dados do IBGE, IPEAData e do Banco Central.

O levantamento também evidencia o protagonismo do Centro-Oeste, que apresentou expansão de 408% no período, que foi a maior do país. Em contraste, o Sudeste teve o menor avanço, com crescimento de 184%.

Agronegócio

Segundo o presidente do Instituto Mauro Borges, Érik Figueiredo, o desempenho goiano está diretamente ligado à força do agronegócio. “Não há dúvida de que a dinâmica econômica de Goiás vem sendo muito atrelada ao agro, seja na produção de bens primários, seja em toda a cadeia produtiva. Hoje, cerca de 40% do PIB do estado está vinculado ao agronegócio”, afirma.

Ele destaca que o setor não se limita à produção no campo, mas envolve serviços e atividades agroindustriais, o que o consolida como eixo estruturante da economia estadual.

Érik Figueiredo: “”A partir de 2023, passamos a atuar fortemente na melhoria do ambiente de negócios”

Incentivos fiscais

Figueiredo ressalta ainda que, historicamente, Goiás adotou políticas de incentivos fiscais para atrair empresas, reduzindo impostos e ampliando a competitividade. No entanto, o estado tem buscado diversificar sua estratégia.

“A partir de 2023, passamos a atuar fortemente na melhoria do ambiente de negócios, que é uma redução indireta de custos e será fundamental no cenário pós-reforma tributária”, explica.

Entre as iniciativas, ele cita o programa Goiás Mais Livre, que promove a interlocução entre setor público e iniciativa privada para identificar entraves e propor soluções. A estratégia inclui desde a redução da burocracia até investimentos em serviços públicos. “Uma boa política de segurança e educação, por exemplo, também reduz custos de produção ao formar mão de obra qualificada e garantir estabilidade”, diz.

Desafio

Apesar dos avanços, o presidente do IMB aponta que o principal desafio, o que também se torna oportunidade, para o crescimento de Goiás está na infraestrutura logística. “Goiás tem localização privilegiada no centro do país, mas ainda enfrenta déficits importantes, como a ausência de gasodutos”, afirma.

Segundo ele, a ampliação da oferta de energia mais barata, por meio de gás natural ou biometano, pode impulsionar a industrialização. Além disso, há necessidade de avançar na integração logística, com investimentos em ferrovias, mais tecnologia para conectividade e no sistema elétrico.

“Precisamos integrar melhor o estado, tanto com o setor público quanto com o privado, inclusive por meio de parcerias público-privadas, para superar esse hiato de infraestrutura”, conclui.

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