sexta-feira, 15 de maio de 2026
Guerra valoriza derivados da soja em Goiás, diz consultor

Guerra valoriza derivados da soja em Goiás, diz consultor

Apesar do momento difícil, óleo e farelo de soja estão em alta e fortalecem agronegócio goiano

5 de maio de 2026

Eduardo Vanin: “A soja está mais barata para a indústria. Para Goiás, isso é positivo”

A guerra no Oriente Médio tem impactado fortemente o agronegócio goiano, principalmente no que diz respeito ao aumento de custos em consequência da alta dos preços dos fertilizantes e combustíveis.

Por outro lado, o cenário econômico se mostra favorável à valorização de derivados da soja. O contexto é positivo para a indústria de grãos, mas ruim para o produtor, de acordo com especialistas.

Em conversa com o Empreender em Goiás, Eduardo Vanin, estrategista sênior de agricultura da Marex, empresa de serviços financeiros de proporção global, relatou que existem dois impactos diretos no agronegócio goiano vindos do cenário atual: a valorização do óleo de soja e do farelo de soja. “A soja está mais barata para a indústria. Para Goiás isso é positivo”, afirmou.

O estrategista crê que a situação é diferente para o produtor. A soja, em si, não está valorizada como no ano passado, o que é ruim para o produtor. “Nós não temos a guerra comercial entre China e EUA do ano passado este ano. Por isso, não temos uma valorização tão forte da soja igual à de 2025. É bom para a indústria, mas ruim para o produtor”, frisou Eduardo Vanin.

Estratégias

Diante dos desafios enfrentados pelo agronegócio goiano no cenário atual, algumas estratégias econômicas se sobressaem. O contexto é de fraqueza do dólar e ótimo desempenho do real, o que é ruim para o produtor, que quer vender para o exterior e ganhar em dólar. Além disso, a alta do diesel e dos combustíveis piora o desempenho das safras goianas.

Para Eduardo, a solução ideal é investir. “Essa combinação de dólar em baixa e combustível encarecendo não é boa para o produtor rural continuar segurando a soja. A melhor estratégia tem sido vender a soja e aplicar o dinheiro”, constatou. Os produtores precisam de pessoas em sua equipe que saibam lidar com investimentos, mas, infelizmente, a qualificação na área ainda é deficitária em Goiás.

Capacitação

A situação quanto à assessoria de investimentos no estado vem melhorando. Goiás concentra atualmente 605 assessores de investimento, 40% de todos do Centro-Oeste. 

Entre 2020 e 2026, o estado apresentou crescimento de 170% no número de profissionais. O agronegócio é um dos principais motivos.

Há aumento da produção por conta do aumento de área e produtividade, o que exige mais assessores. Existe uma soma de crescimento de produção com oportunidade de trabalho. 

“Existe um movimento de regionalização e capilarização dos assessores. A proximidade melhora o serviço para o produtor”, afirmou Eduardo Vanin. Para ele, a tendência é que o número de assessores continue aumentando. A área está crescendo e a produção também está aumentando conforme a demanda. 

A fim de capacitar melhor esses profissionais, a Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (ANCORD) possui a certificação Agro 100. Na prática, trata-se de um selo de excelência que conecta o mercado financeiro à realidade do campo.

Evento

Nesta terça-feira (5), a Ancord realizará um encontro em Rio Verde com a participação de Eduardo Vanin. Durante o evento, será apresentada uma análise sobre as tendências internacionais e seus desdobramentos para o agronegócio brasileiro.

Com o tema “Trade Inflation Mania na China e os impactos para os grãos no Brasil”, o debate dialoga diretamente com a realidade do estado. Goiás registrou produção recorde de grãos na safra 2024/25, com 37,3 milhões de toneladas, o maior volume da série histórica.

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