O dólar fechou a R$ 4,91, enquanto o Ibovespa avançou com melhora do cenário externo e juros elevados no Brasil.

O dólar atingiu o menor patamar em mais de dois anos frente ao real, enquanto a bolsa brasileira voltou a avançar nesta terça-feira (5). Um movimento impulsionado pela maior disposição global ao risco, pela expectativa de juros elevados no Brasil e pela redução das tensões no Oriente Médio.
A moeda norte-americana encerrou o dia vendida a R$ 4,912, com forte queda de 1,12%. Durante a sessão, o dólar operou em baixa contínua e chegou a atingir R$ 4,90 na mínima do dia. Trata-se do menor nível da divisa desde janeiro de 2024.
No acumulado de 2026, o dólar já registra desvalorização de 10,51% frente ao real. Refletindo a combinação entre fluxo estrangeiro positivo, diferencial elevado de juros e melhora momentânea do humor externo.
O movimento ocorreu mesmo em meio às incertezas geopolíticas envolvendo o Oriente Médio. O mercado internacional reagiu positivamente à manutenção de um cessar-fogo parcial entre Estados Unidos e Irã, reduzindo a aversão global ao risco e favorecendo moedas de países emergentes, como o real brasileiro.
No cenário doméstico, a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) também influenciou os mercados. O documento reforçou a preocupação do Banco Central com os impactos inflacionários do ambiente externo. E sinalizou a manutenção de juros elevados por mais tempo, mesmo após o recente corte da Selic para 14,50% ao ano.
Para analistas, o diferencial de juros segue sendo um dos principais fatores de sustentação do real. Com taxas elevadas, o Brasil continua atraindo capital estrangeiro para renda fixa e bolsa, ampliando a entrada de dólares no país e pressionando a moeda norte-americana para baixo.
Na bolsa de valores, o clima também foi positivo. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou em alta de 0,62%, aos 186.753 pontos.
O desempenho foi puxado pelo ambiente externo mais favorável, pela valorização de ações ligadas ao consumo e pelo impacto da política monetária brasileira. Investidores também reagiram a resultados corporativos e à perspectiva de manutenção de liquidez global em economias emergentes.
Nos Estados Unidos, o movimento foi semelhante. O índice S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas americanas, subiu 0,81%, acompanhando o apetite global por ativos de risco.
No mercado internacional de commodities, os preços do petróleo encerraram o dia em queda, pressionados justamente pela percepção de redução temporária das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O barril do petróleo Brent, referência global, caiu 3,99%, fechando a US$ 109,87. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, recuou 3,90%, para US$ 102,27.
Apesar da queda expressiva, os preços permanecem acima de US$ 100 o barril, refletindo o elevado nível de incerteza na região do Golfo Pérsico. Especialmente em torno do Estreito de Ormuz — rota estratégica responsável por uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo.
Especialistas avaliam que qualquer escalada no conflito ou ameaça ao fluxo marítimo internacional pode provocar nova disparada das cotações e aumentar as pressões inflacionárias globais, inclusive no Brasil.