A Ferrovia de Integração do Centro-Oeste avança em Goiás com início da instalação de trilhos e promessa de transformar a logística do agro.

A nova etapa das obras da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) coloca Goiás no centro de uma transformação logística estratégica para o agronegócio brasileiro. Agora teve início da fase de superestrutura em um trecho de 132 quilômetros entre Mara Rosa e Crixás. Assim, a ferrovia começa a sair do papel para ganhar trilhos e avança rumo à operação gradual integrada à Ferrovia Norte-Sul.
Uma das principais apostas para ampliar a competitividade do Centro-Oeste, a FICO terá aproximadamente 1.641 quilômetros de extensão, conectando Mara Rosa (GO) até Vilhena (RO). Assim, criando um novo corredor de escoamento para a produção agropecuária brasileira. A expectativa é reduzir custos logísticos, desafogar rodovias e ampliar a eficiência no transporte de grãos, fertilizantes e combustíveis.
A entrada na fase de superestrutura representa um dos momentos mais relevantes da obra. Após a conclusão da terraplenagem, começam agora os trabalhos de assentamento de lastro, dormentes e trilhos. Etapa que prepara a ferrovia para iniciar operações por trechos.
O projeto é executado pela Vale, dentro de um modelo de investimento cruzado, com aporte estimado em R$ 951 milhões. No pico das obras, a operação deve mobilizar cerca de 5,9 mil trabalhadores e 1,8 mil equipamentos em frentes simultâneas.
Segundo o cronograma oficial, o trecho entre o km 0 e o km 261 deverá ser concluído até julho. Com ritmo médio de implantação de aproximadamente mil metros de trilhos por dia.
Para o diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, o avanço da obra consolida anos de planejamento e transforma a FICO em um ativo estratégico para o desenvolvimento nacional.
“A partir de agora, a obra deixa de ser apenas um empreendimento de infraestrutura e passa a se tornar um ativo capaz de gerar ganhos econômicos permanentes ao integrar as regiões produtoras do Centro-Oeste aos principais corredores de escoamento do país”, destacou.
A integração da FICO à Ferrovia Norte-Sul deve ampliar significativamente a capacidade logística do Nordeste Goiano e do Leste de Mato Grosso, regiões com forte expansão da produção agropecuária nos últimos anos.
Na prática, a nova rota ferroviária tende a reduzir a dependência do transporte rodoviário, aumentar a previsibilidade dos fretes e aliviar gargalos logísticos em períodos de safra.
O superintendente de Desenvolvimento de Empreendimentos da Infra S.A., Tharlles José Soares Fernandes, afirma que a ferrovia terá impacto estrutural sobre os custos de transporte da produção agrícola.
“Além de reduzir custos no escoamento da produção, a ferrovia melhora a logística de retorno, com mais eficiência no transporte de insumos como fertilizantes e combustíveis. Isso reduz gastos na porteira, amplia a competitividade da produção regional e tem impacto direto em áreas mais distantes dos portos, como o Vale do Araguaia”, afirmou.

A obra também chama atenção pelo nível tecnológico empregado na construção. A execução utiliza a metodologia New Track Construction (NTC), sistema mecanizado de montagem ferroviária que permite maior precisão geométrica e aumento de produtividade.
Outro destaque é a logística internacional envolvida na operação. Os trilhos utilizados na FICO são importados da China, desembarcados no Porto do Itaqui, no Maranhão, e transportados pela Ferrovia Norte-Sul até os canteiros de obras em Goiás.
A estratégia reduz custos operacionais e já antecipa, na prática, a futura integração da FICO à malha ferroviária nacional.
O próximo grande marco do projeto será a entrega do Lote 1, prevista para outubro de 2026. O trecho contempla aproximadamente 132 quilômetros de via permanente entre Mara Rosa e Crixás e deverá passar por inspeções técnicas e validações operacionais antes da liberação definitiva para operação.