Os setores de transportes e alimentação foram os principais responsáveis pela disparada da inflação na capital goiana

A inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 1,12% no mês de abril em Goiânia. É a maior alta do país, de acordo com a pesquisa divulgada nesta terça-feira (12), pelo IBGE.
Com o resultado de abril, o acumulado em 12 meses do IPCA em Goiânia subiu de 4% (março) para 5,01%, ultrapassando pela primeira vez nos últimos 11 meses a marca dos 5%. O Brasil, por sua vez, apresentou acumulado de 4,39% em 12 meses.
Culpados
O grupo de transportes (1,67%) foi o principal responsável pela disparada da inflação de abril em Goiânia (1,12%). O peso expressivo do grupo na cesta goianiense (23,2%) foi resultado da alta dos combustíveis de veículos (5,79%), puxados pelo etanol (7,11%), gasolina (5,77%) e óleo diesel (1,62%) .
Em sentido contrário, o transporte público (-4,61%) exerceu influência negativa expressiva no grupo, com a passagem aérea (-14,51%) e o transporte por aplicativo (-4,35%) recuando de forma acentuada.
Alimentação
O grupo de alimentação e bebidas (+1,55%) foi o segundo que mais contribuiu para a inflação do mês. O preço da alimentação no domicílio subiu 2,05%, com pressão concentrada nos tubérculos, raízes e legumes (+11,87%), destacando-se a cenoura (+34,39%) e o tomate (+7,87%).

O item leite e derivados (+5,25%) também exerceu pressão relevante, com o leite longa vida (+10,46%) registrando alta expressiva. O ovo de galinha (+4,83%) e as carnes (+1,69%) completaram o quadro de pressão no subgrupo de alimentação no domicílio.
Por outro lado, o frango em pedaços (-1,23%), a banana-maçã (-9,53%) e os panificados (-0,57%) ajudaram a conter parte das altas. A alimentação fora do domicílio subiu apenas 0,18%, com a refeição apresentando leve queda (-0,07%).
Energia elétrica
O grupo de habitação (+0,74%) registrou comportamento misto em Goiânia. O gás de botijão (+1,35%) voltou a pressionar os preços, seguindo o movimento nacional de alta (+3,74%).
Já a energia elétrica residencial (-0,66%) recuou na capital, na contramão do resultado brasileiro (+0,72%), contribuindo para amenizar a alta do grupo. O aluguel residencial registrou variação praticamente nula (-0,03%).
O grupo de saúde e cuidados pessoais (+1,09%) foi o terceiro que mais influenciou a alta da inflação na capital goiana. Os produtos farmacêuticos subiram 1,54%. Os cuidados pessoais (+1,23%) também pressionaram o grupo, com altas em perfume (+2,54%) e produtos para pele (+2,34%).
Mais pobres
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que calcula o custo de vida das famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, subiu 1,14% em Goiânia, ficando acima tanto do IPCA da capital (1,12%) quanto do INPC nacional (0,81%).
A diferença entre o INPC e o IPCA goianiense, embora pequena, reforça que os itens de maior peso no orçamento das famílias com rendimentos de até cinco salários mínimos — em especial alimentos in natura e energia — subiram mais do que a média geral.