quarta-feira, 20 de maio de 2026
Uso de inteligência artificial cresce entre investidores

Uso de inteligência artificial cresce entre investidores

Dados do Datafolha apontam que 9% dos investidores utilizam ChatGPT, Claude e Gemini para tomar decisões de investimento

19 de maio de 2026

Eliana Moraes: “A Inteligência Artificial pode ser uma grande aliada do investidor quando usada com consciência e estratégia”

O uso da inteligência artificial como fonte de informação para investimentos já faz parte da rotina de uma parcela dos brasileiros. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais em parceria com o Datafolha, 9% dos investidores utilizam ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini para buscar informações financeiras e tomar decisões de investimento.

Os dados mostram que os usuários dessas plataformas apresentam um comportamento financeiro mais ativo e diversificado. Entre os investidores que usam IA, 74% conseguiram economizar em 2025, contra 57% dos que não utilizam a tecnologia. 

Além disso, 88% pretendem continuar investindo em 2026, número superior aos 75% registrados entre os que não usam ferramentas de inteligência artificial.

A pesquisa também aponta mudanças no perfil das aplicações financeiras. Enquanto a poupança segue como principal investimento para 63% dos não usuários de IA, esse percentual cai para 33% entre quem utiliza a tecnologia. Em contrapartida, cresce o interesse por aplicações consideradas mais sofisticadas, como fundos de investimento, papéis privados e criptomoedas.

Cautela

Para especialistas do mercado financeiro, a inteligência artificial pode ser uma ferramenta importante de democratização da informação e educação financeira, desde que usada com cautela.

A planejadora financeira Eliana Moraes afirma que a IA ajuda investidores a entender conceitos, comparar investimentos e organizar a vida financeira. “A Inteligência Artificial pode ser uma grande aliada do investidor quando usada com consciência e estratégia. Hoje, ela consegue ajudar na busca de informações, análises de mercado, comparação de investimentos, organização financeira e até na criação de cenários mais claros para tomada de decisão.”

Segundo ela, o acesso rápido às informações também aproximou mais pessoas da educação financeira. “Muitas pessoas que antes tinham dificuldade para entender investimentos conseguem hoje aprender conceitos básicos, simular aplicações e tirar dúvidas em tempo real.”

Apesar dos benefícios, especialistas alertam para os riscos do uso excessivo ou sem validação humana. Eliana destaca que a IA não substitui planejamento financeiro nem conhecimento técnico. Ela reforça ainda que investimentos envolvem fatores que vão além de números “A IA trabalha com dados e padrões, mas não conhece profundamente a realidade emocional, familiar e patrimonial de cada pessoa.”

Alerta

Roberta Almeida: “A IA é uma ferramenta de apoio e deve funcionar como “copiloto”, mas não como responsável final pelas decisões”

A sócia cofundadora da Garten Capital, Roberta Almeida, também vê a tecnologia como uma ferramenta de apoio, mas ressalta que ela deve funcionar como “copiloto” e não como responsável final pelas decisões. “O maior risco não é a tecnologia. É o uso sem senso crítico.”

Segundo Roberta, a IA consegue otimizar tempo e ampliar o acesso a análises complexas, como leitura de relatórios econômicos, comparação de investimentos e simulações de carteira. “Ela permite acesso rápido a informações complexas, geração de insights e ganho de produtividade tanto para investidores quanto para assessores.”

Por outro lado, ela alerta para problemas como informações imprecisas, excesso de confiança nas respostas automáticas e falta de personalização. “A tomada de decisão sem uma validação humana é muito perigosa.”

A executiva afirma que o uso da IA já é realidade dentro do mercado financeiro, inclusive entre profissionais da área. “Nós usamos a inteligência artificial como copiloto e não como piloto. Ela ajuda a fazer perguntas melhores e torna as conversas com especialistas mais inteligentes.”

Entre as recomendações dos especialistas para quem deseja utilizar IA nas finanças estão o uso de plataformas confiáveis, evitar decisões impulsivas e sempre validar informações com profissionais qualificados. “Quem constrói patrimônio não é tecnologia. É constância, disciplina e qualidade nas decisões.”

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