De olho em terras raras, governador fez o anúncio durante seminário sobre mineração em Goiás, na sede da Fieg

O governador Daniel Vilela anunciou, nesta quarta-feira, 23, a criação da Secretaria de Minas e Energia de Goiás em um eventual novo governo. A nova estrutura deverá concentrar e ampliar a atuação do governo estadual no setor mineral, em um momento de expansão de projetos e de aumento do interesse sobre reservas de minerais estratégicos, especialmente terras raras.
O anúncio foi feito durante o seminário “Mineração em Goiás: desafios e oportunidades”, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), em Goiânia. O encontro reuniu representantes do setor produtivo, especialistas e integrantes do poder público para discutir investimentos, abertura de novas minas e os principais entraves enfrentados pela atividade mineral.
Exigências ambientais
Ao falar sobre a criação da pasta, Daniel afirmou que o governo pretende fortalecer o diálogo com empresas e entidades ligadas à mineração e ampliar a capacidade do Estado de acompanhar projetos do segmento. O governador também destacou a necessidade de encontrar soluções que permitam conciliar a expansão da produção com as exigências ambientais.
“Nós precisamos avançar, nós temos que construir soluções que vão permitir o avanço da nossa produção. Lógico respeitando o meio ambiente, tomando todas as precauções necessárias”, afirmou.
Terras raras
A criação da Secretaria de Minas e Energia ocorre em meio ao avanço de projetos relacionados a minerais considerados estratégicos. Durante o seminário, o presidente do Conselho Consultivo do Sindicato das Indústrias de Mineração de Goiás e Distrito Federal (Minde), Luiz Antônio Vessani, destacou a posição de Goiás na produção de terras raras e níquel e as possibilidades de expansão do setor.
Entre os empreendimentos citados estão a operação da Serra Verde, em Minaçu, e um projeto em desenvolvimento em Nova Roma, no Nordeste Goiano. Para Vessani, o cenário abre uma janela de oportunidades para o Estado. “Esse momento para Goiás significa uma oportunidade incrível”, afirmou.
Segundo ele, entretanto, transformar o potencial mineral em novos investimentos depende da superação de entraves e da construção de políticas públicas capazes de aproximar empresas, governo, municípios e comunidades. “Não é intenção nossa finalizar temas, muito pelo contrário, é começar uma discussão e construir junto o papel”, disse.
Daniel Vilela também ressaltou o potencial das terras raras e a possibilidade de os novos projetos contribuírem para o desenvolvimento econômico do Nordeste Goiano. A expectativa é que a nova secretaria dê ao setor uma estrutura específica dentro do governo estadual para tratar dessas demandas.
Redução de entraves
Na abertura do encontro, o presidente da Fieg, André Rocha, afirmou que Goiás precisa aproveitar melhor sua posição no cenário mineral brasileiro e defendeu uma atuação conjunta para destravar investimentos.
“Nós temos esses desafios, temos essas oportunidades, precisamos trabalhar juntos para vencer as burocracias, as amarras, as dificuldades econômicas que impedem de avançarmos mais”, afirmou.

André Rocha destacou ainda a relação da mineração com áreas que ganharam relevância nos últimos anos, como inteligência artificial, transição energética e mudanças climáticas. A expansão dessas tecnologias aumenta a demanda por diferentes minerais utilizados em equipamentos, sistemas de geração de energia e novas cadeias industriais.
Futuro da mineração
Com programação ao longo desta quarta-feira, o seminário reúne especialistas, empresários e representantes de órgãos públicos em sete painéis. Entre os temas estão economia mineral, desenvolvimento regional, municípios mineradores, segurança alimentar, longevidade das operações, minerais críticos, Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) e padrões de desempenho voltados ao desenvolvimento sustentável.
Participaram das discussões representantes do Instituto Mauro Borges (IMB), Embrapa Cerrados, Agência Nacional de Mineração (ANM), Brazilian Nickel, Anglo American, Geos Consultoria e Proactiva.
Também participaram da abertura representantes da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços (SIC), Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), além de dirigentes de sindicatos e entidades ligadas ao setor produtivo.