sexta-feira, 23 de outubro de 2026
IPCA-15: Goiânia tem a maior prévia de inflação acumulada do país

IPCA-15: Goiânia tem a maior prévia de inflação acumulada do país

Conforme o IBGE, a capital goiana lidera a alta de preços de janeiro a outubro deste ano e também em 12 meses no Brasil

23 de outubro de 2026

Alimentação no domicílio pressionou a alta dos preços em Goiânia

A prévia da inflação, medida pelo IPCA-15, subiu 0,44% este mês em Goiânia. Com o resultado, o acumulado no ano chegou a 4,76%, o maior percentual no país, de acordo com o IBGE. O top 3 do país também tem Fortaleza (4,66%) e Rio de Janeiro (4,57%).

A média nacional ficou em 4,15%, bem abaixo do índice registrado na capital goiana que foi de 5,38%, também a maior taxa do país. Em 12 meses, a prévia da inflação em Goiânia chegou a 5,38%, também a maior taxa do país, contra 4,62% no Brasil e 5,27% em Fortaleza, a segunda colocada.

Maior percentual

A variação de 0,44% em Goiânia em outubro ficou acima da média nacional (0,32%) e foi a terceira maior entre as localidades, atrás de Belém (0,76%) e Belo Horizonte (0,59%). A alta acumulada de janeiro a outubro é o maior resultado registrado em outubro desde 2021, quando chegou a 8,06%. 

Os preços na capital subiram pelo segundo mês seguido, após a inflação de 0,03% em julho e de 0,42% em agosto. No Brasil, a variação foi de 0,32% em outubro e de 0,70% em setembro, com 0,06% em julho e queda de 0,40% em agosto. Em ambos os meses de alta, Goiânia ficou acima da média nacional.

Alimentação

A alimentação foi o grupo com maior variação na prévia da inflação em Goiânia em outubro, de acordo com o IBGE. Os alimentos consumidos em casa subiram 1,81% na capital, contra 1,01% no Brasil. O subgrupo tubérculos, raízes e legumes liderou as altas, com 18,72% (12,92% no Brasil) de alta, puxado pelo tomate, que subiu 32,59% (24,54% no país), e pela cebola, que subiu 16,45% (13,63% no país).

As carnes também subiram: 0,73% em Goiânia, contra 0,48% no Brasil. No acumulado do ano, o tomate sobe 93,61% e a cebola, 90,80% na capital goiana, enquanto as carnes acumulam alta de 9,27%. Os gastos com alimentação e supermercado estão entre os que mais pesam no orçamento dos brasileiros.

Conforme pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. Essas despesas foram apontadas por 59% dos entrevistados, à frente de moradia, incluindo aluguel e financiamento (40%), e contas da casa (32%).

O levantamento mostra ainda que 41% dos consumidores consideram a terceira e a quarta semana do mês os períodos mais difíceis para equilibrar as finanças. Outros 13% afirmam enfrentar dificuldades durante todo o mês.

Veículos

Conforme o IBGE, os preços de veículo próprio e conserto de automóvel também subiram na capital

O subgrupo veículo próprio subiu 0,84% em Goiânia, enquanto os preços de conserto de automóvel cresceram 3,02%. O conserto já tem acumulado de 11,78% no ano. A motocicleta também ficou mais cara em Goiânia com alta de 5,08%. Em contrapartida, comprar um automóvel novo (0,46%) e seguro de veículo (1,56%) recuaram.

Cuidados pessoais

Os preços dos itens de saúde e cuidados pessoais recuaram 0,87%, enquanto houve alta de 0,15% no Brasil. A queda foi puxada por produtos farmacêuticos e por cuidados pessoais. A energia elétrica residencial também aliviou o orçamento familiar, com queda de 1,63% em Goiânia. No acumulado do ano, a energia recuou 4,43% na capital.

Bola de neve

Para o economista e advogado tributarista Danilo Orsida, o aumento de preços decorre de um efeito bola de neve ocasionado pela alta nos combustíveis. “A inflação nos últimos meses decorre da grande pressão inflacionária, em especial no setor de logística e de combustíveis, que tem um efeito cascata na economia, o que acaba generalizando e chega aos custos dos produtos que compõem a cesta básica de consumo do cidadão”, afirmou.

Para Danilo Orsida, o governo federal tem adotado medidas de contenção da inflação e a situação poderá piorar caso não haja continuidade desses subsídios. “Haverá uma pressão e uma tendência de aumento maior ainda, quando acontecer a retirada dessa política de subvenção que, até então, tem contido a disparada de preços, até mesmo no segmento dos combustíveis, no segmento da alimentação, considerando que os custos de distribuição dos alimentos, dos produtos e toda a cadeia logística depende dos combustíveis”, afirmou.

Porém, o economista alerta que a situação não ocorre apenas no Brasil. “Há uma pressão inflacionária global diante do desarranjo internacional, em especial levando em conta os conflitos no estreito de Ormuz e embargos econômicos feitos à Rússia, uma das grandes fornecedoras de insumos para o mercado global. Outros países têm cenário parecido, com alguns deles enfrentando até mesmo ondas de protestos por conta do aumento de custo de vida e pressão inflacionária”, frisou.

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