Segundo estudo da Fieg, a maior parte do potencial de exportação está em produtos como carnes, açúcar e combustíveis

A indústria goiana poderá aumentar suas exportações em até US$72 milhões anuais, chegando a US$300 milhões uma vez que atingiu os US$228 milhões em 2025. A maior parte do potencial de exportação está em setores como carnes, açúcar, grãos, combustíveis, curtumes e gelatinas.
Destaques
Só as exportações industriais de carnes podem aumentar em mais de R$ 66 milhões anuais, seguidas por combustíveis (R$1,28 milhão) e açúcar (R$1,2 milhão). Grãos (R$1,1 milhão) e outros alimentos (R$989 mil) também são destaques, com outras gelatinas e seus derivados compondo a maior porção deste último.
No caso de outros setores industriais, a estimativa realizada ficou relativamente baixa. No entanto, cabe destacar que a seleção de produtos do estudo priorizou aqueles que Goiás já exportava para a UE, seguidos pelos que o Estado exporta para outros mercados e, por último, os comercializados por outros Estados brasileiros para a UE.

Dessa forma, é possível que o acordo possa gerar novas oportunidades de exportação para produtos goianos que pouco acessam os mercados externos, mas para os quais a remoção das barreiras na UE abriria oportunidades para um maior volume de exportações.
Potencial
Seis produtos ficaram com potencial de exportação anual superior a US$1 milhão: carnes (bovina e de frango), açúcar e etanol. Onze ficaram entre US$100 mil e US$1 milhão, sendo alguns deles milho doce, couro (bovino e outros), gelatinas, lecitinas, miudezas bovinas e grãos trabalhados.
Outros 16 produtos ficaram entre US$1 mil e US$1 milhão, entre eles de setores de máquinas, químicos, alimentos, plástico, eletrônicos, etc. Por fim, 7 ficaram abaixo de US$1 mil, incluindo café torrado e luminárias.
Os produtos acima de US$1 milhão têm o maior potencial de exportação somado gerado pelo acordo: entre US$61,7 milhões e US$82,2 milhões (no melhor cenário levantado), o que representa 95% do valor total de potencial dos produtos selecionados. Logo, esse grupo tem peso desproporcional no ganho total do acordo.
Já a maioria dos produtos entre US$100 mil e US$1 milhão está relacionada ao agronegócio. Os produtos industriais mais elaborados ou com maior valor agregado estão principalmente na terceira faixa entre US$1 mil e US$100 mil.
Contexto
O Acordo Provisório de Comércio (ITA) que entrou em vigor no dia 1º de maio de 2026 já reduziu as barreiras comerciais para centenas de produtos brasileiros. As barreiras comerciais restantes cairão ao longo dos próximos dez anos.
O levantamento da Fieg foca sua análise no impacto dessa abertura comercial na União Europeia para os exportadores da indústria goiana, permitindo ao empresário industrial local compreender a real dimensão das oportunidades geradas pelo acordo para seu setor e produtos exportáveis e incentivar inovação e parcerias bilaterais.
Atualmente, está em vigor o Acordo Provisório de Comércio (ITA), com foco no pilar comercial. Há resistências quanto ao acordo por parte de certos grupos econômicos (especialmente dos agricultores europeus) e sociais.
O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) está avaliando o texto e pode futuramente decidir rever ou suspender o documento, se identificar incompatibilidades ou se houver novas mudanças políticas significativas na Europa.
No entanto, todas as condições e os benefícios comerciais terão validade para os comerciantes de ambos os lados enquanto estiverem em vigor. Segundo a Fieg, as exportações totais goianas podem aumentar em até US$ 218 milhões por ano, chegando a US$13,6 bilhões (as exportações totais totalizaram US$13,4 bilhões em 2025). Além disso, há a expectativa de mais de 24 mil empregos surgir nesses setores exportadores.