Diferentemente do comércio no país, o setor em Goiás mantém crescimento mesmo após a alta dos juros do Banco Central.
O comércio varejista em Goiás acumula 18 meses consecutivos de crescimento em vendas, uma sequência que não era registrada desde 2013. Em maio, segundo dados do IBGE, houve alta de 1,2%. Influenciada principalmente pela venda de livros, jornais, revistas e papelaria (aumento de 31,4%) e de eletrodomésticos (23,5%).
Os dados, analisados pelo Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB), apontam para um crescimento acumulado de 3,2% em 12 meses. O resultado supera a média nacional (3%). No acumulado de janeiro a maio deste ano, cresceu 1,5% em relação ao mesmo período de 2024.
O aumento nas vendas de eletrodomésticos (20,1%), móveis (17%) e livros, jornais, revistas e papelaria (12,2%) influencia o crescimento do comércio goiano neste ano.
O varejo ampliado também apresentou alta (2,1%) na variação acumulada em 12 meses. Impulsionado pelo crescimento de 4,1% no volume de vendas de veículos, motocicletas, partes e peças.
As vendas no comércio varejista no país caíram 0,2% em maio em relação a abril deste ano. Frente a maio de 2024, o volume de vendas do varejo cresceu 2,1%. Na média móvel trimestral, ficaram praticamente estagnadas, com alta de 0,1% no trimestre encerrado em maio. No acumulado do ano até maio, o varejo brasileiro registra alta de 2,2% e, em 12 meses, 3%.
Segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Comércio, Cristiano Santos, o recuo nas vendas do comércio está relacionado, por um lado, pelo “efeito base”, já que em março alcançou o topo da série histórica. E, por outro lado, pelo impacto dos juros altos do Banco Central (BC) sobre o setor.
“Para explicar a retração dos últimos dois meses consecutivos do comércio varejista, um deles é o crédito da pessoa física, que caiu após uma sequência de altas na taxa básica de juros (Selic). O resultado no mês, dessa passagem no volume do crédito da pessoa física foi menor, diminuiu 3%”, destacou.