terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Ferrovia e energia são as maiores demandas do agro goiano

Ferrovia e energia são as maiores demandas do agro goiano

Lideranças do agro goiano defendem acelerar investimentos em logística e energia, durante evento do Globo Rural em Goiânia.

3 de dezembro de 2025

Produtores goianos reclamam do custo elevado e insuficiência de oferta de energia para atender a novos projetos

A necessidade urgente de acelerar investimentos em logística e energia voltou ao centro das discussões do agronegócio goiano, durante o “Vozes do Agro”, evento promovido pela revista Globo Rural nesta terça-feira (2/12), em Goiânia. Produtores rurais, empresários, pesquisadores e lideranças setoriais convergiram em um ponto: os entraves de infraestrutura seguem sendo o principal obstáculo à competitividade do agro no Estado.

O encontro reservado reforçou um diagnóstico já conhecido pelo setor, mas que ganha contornos mais estratégicos diante da expansão do agro goiano. As queixas sobre estradas, ferrovias, hidrovias e capacidade de armazenagem foram as mais recorrentes.

Para os participantes, a contradição se repete: Goiás está entre os maiores produtores de commodities do país, mas continua distante de condições logísticas compatíveis com sua escala produtiva. “Goiás está no coração do Brasil, longe dos portos por onde escoamos nossa produção. Ainda assim, os projetos de ferrovias não avançam”, resumiu uma das lideranças do agro goiano.

Outro participante reforçou a urgência de diversificar modais: “Precisamos estimular investimentos não só em estradas, mas também em ferrovias e hidrovias”, disse. As limitações, segundo produtores presentes, não atingem apenas grãos. Na fruticultura, por exemplo, a deficiência de rodovias tem impacto direto sobre perdas de cargas perecíveis.

Energia

A segunda grande preocupação do encontro foi o acesso à energia — tanto pelo custo elevado quanto pela insuficiência de oferta para atender a novos projetos. Um dos participantes mencionou o caso de um investidor impedido de avançar com a instalação de uma planta industrial por falta de fornecimento adequado.

Outro destacou o paradoxo vivido pelo próprio setor sucroenergético: “Temos usinas investindo em cogeração, mas, por problemas de energia, precisam acionar geradores a diesel. Não faz sentido algum”, afirmou. Para especialistas, essa deficiência compromete não apenas a competitividade como também as perspectivas de consolidação de cadeias industriais de maior valor agregado em Goiás.

Potencial

Entre diagnósticos e propostas, um tema emergiu com destaque: o potencial da cadeia de biocombustíveis como vetor de desenvolvimento e solução para gargalos estruturais. “Goiás já tem força na produção de etanol de cana e de milho. Se ampliarmos esse ecossistema, fortalecemos a agroindústria, consumimos mais do grão produzido no Estado e avançamos na sustentabilidade”, avaliou uma das participantes.

Além disso, modelos de geração energética a partir de resíduos agropecuários — já em expansão em Goiás — foram apontados como oportunidades adicionais para ampliar segurança energética e reduzir custos, reforçando a transição para uma economia de baixo carbono.

A comunicação apareceu também como ponto sensível. Para muitos, o agro ainda falha em comunicar seus avanços, sua base tecnológica e suas práticas sustentáveis para o público urbano. “Para combater o preconceito com o agro, temos que mostrar o que de fato acontece no setor”, disse um dos debatedores.

Outra participante chamou atenção para a necessidade de melhorar não apenas o diálogo externo, mas também a comunicação dentro do próprio agronegócio. “Temos uma polarização muito grande no agro. Precisamos nos despir dos preconceitos e realmente ouvir os outros. Precisamos colaborar mais e guerrear menos”, frisou.

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