Brasil fecha 2025 com taxa de desemprego de 5,6%, renda recorde e alta do emprego formal. Apesar dos juros altos.

O Brasil encerrou 2025 com a menor taxa de desemprego desde o início da série histórica atual, iniciada em 2012. Mesmo em um cenário de juros elevados, que tradicionalmente funcionam como freio para a atividade econômica. Dados do IBGE revelam que a taxa anual de desocupação ficou em 5,6% no ano passado, abaixo dos 6,6% registrados em 2024.
No trimestre encerrado em dezembro, a taxa atingiu 5,1%, o menor nível já observado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.
O resultado ocorre apesar de a taxa básica de juros do país ter alcançado, em 2025, o maior patamar em quase duas décadas. Em setembro de 2024, diante da inflação persistente, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou um ciclo de alta da Selic, então em 10,5% ao ano, elevando-a até 15% em junho de 2025.
A estratégia teve como objetivo conter a pressão inflacionária, já que o IPCA permaneceu por 13 meses fora do intervalo de tolerância da meta estabelecida pelo governo. Como a Selic influencia todas as demais taxas do sistema financeiro, sua elevação encarece o crédito, desestimula investimentos e reduz o consumo, afetando diretamente o ritmo da economia e, em condições normais, a geração de empregos.
Ainda assim, o mercado de trabalho brasileiro avançou de forma consistente. O país alcançou em 2025 um total de 103 milhões de trabalhadores ocupados. Enquanto o número de pessoas em busca de emprego caiu para 6,2 milhões, redução de cerca de 1 milhão (-14,5%) em comparação ao ano anterior.
Para Adriana Beringuy, coordenadora da Pnad Contínua, o principal motor por trás da queda histórica do desemprego foi a força do consumo das famílias. Sustentado por uma expansão da renda e pelo aumento do contingente ocupado.
Segundo ela, a economia brasileira seguiu impulsionada por gastos concentrados em setores menos sensíveis ao juro alto, como alimentação, vestuário e serviços pessoais. E não necessariamente por consumo financiado de bens duráveis, tradicionalmente dependentes de crédito.
“A transmissão do efeito da taxa de juros não é uniforme”, explica Beringuy. Ela destaca que, em 2025, não houve explosão de consumo em áreas como compra de móveis ou bens de maior valor. Mas sim um movimento de retroalimentação positiva: mais pessoas empregadas, com rendimentos crescentes, sustentando o consumo cotidiano.
A pesquisa aponta que o rendimento médio mensal do trabalhador atingiu o recorde de R$ 3.560, alta real de 5,7% (ou R$ 192) frente a 2024, já descontada a inflação. O avanço da renda foi reforçado pelo controle inflacionário e pela valorização real do salário mínimo, beneficiando especialmente os trabalhadores de menor escolaridade e renda.
Outro marco de 2025 foi o crescimento do emprego formal. O número de trabalhadores com carteira assinada alcançou 38,9 milhões, o maior já registrado na série, com expansão de cerca de 1 milhão em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, o contingente de empregados sem carteira caiu para 13,8 milhões.
O IBGE também destacou o aumento dos trabalhadores por conta própria, que chegaram a 26,1 milhões, recorde histórico, embora 73% deles ainda atuem na informalidade, sem CNPJ. A taxa anual de informalidade recuou de 39% em 2024 para 38,1% em 2025, mas segue como uma característica estrutural do mercado brasileiro, especialmente em segmentos ligados ao comércio e aos serviços.
Entre os setores que mais empregam no país, o comércio lidera com 19,5 milhões de ocupados, seguido pela administração pública, educação e saúde, com 19 milhões.
Na sequência aparecem informação e atividades financeiras e profissionais (13,4 milhões) e a indústria geral (13,3 milhões). Agricultura, construção, transporte, serviços domésticos e alojamento e alimentação completam o quadro das atividades que sustentam a ocupação no país.
A trajetória recente confirma uma queda consistente do desemprego após o pico da pandemia, quando a taxa chegou a 14,9% em 2020 e 2021. Desde então, o indicador recuou para 9,6% em 2022, 7,7% em 2023, 6,6% em 2024 e agora atinge o piso histórico de 5,6% em 2025.
Para o IBGE, os dados refletem uma economia que, apesar do aperto monetário, manteve capacidade de geração de empregos apoiada na expansão da renda e no dinamismo do consumo das famílias, colocando o mercado de trabalho como um dos principais vetores de sustentação da atividade econômica brasileira.