quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
Nova onda de usinas solares em Goiás atrai R$ 393 milhões

Nova onda de usinas solares em Goiás atrai R$ 393 milhões

Investimentos em três usinas solares em Goiás reforçam o avanço da transição energética com financiamento estratégico do FDCO.

18 de fevereiro de 2026

A corrida por energia limpa no Brasil está redesenhando o mapa da infraestrutura elétrica nacional. E Goiás começa a ocupar uma posição cada vez mais estratégica nesse novo cenário. A aprovação de uma linha de crédito de até R$ 230 milhões pelo Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO) para a implantação de três usinas solares no município de Vila Propício marca mais um capítulo da consolidação do estado como polo relevante da expansão fotovoltaica no país.

Os recursos serão destinados à construção das usinas UFV Baru, UFV Mangaba e UFV Buriti, projetos liderados pela Newave Energia. Juntos, somam cerca de 130 MW de capacidade instalada e previsão de geração média de 37,8 MW para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Com investimento total estimado em R$ 393 milhões, reforçam a crescente atratividade do Centro-Oeste para capital voltado à infraestrutura energética e ativos de transição climática.

A aprovação, formalizada no Diário Oficial da União, evidencia o papel dos instrumentos públicos de financiamento como alavanca para projetos intensivos em capital. Administrado pela Sudeco (Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste), o FDCO atua como catalisador de investimentos estruturantes. Ao oferecer condições diferenciadas de crédito, com participação de até 60% do investimento total, prazos de amortização que podem chegar a duas décadas e períodos de carência que reduzem riscos financeiros na fase inicial dos projetos.

Novas usinas

No caso das novas plantas solares, duas delas — UFV Baru e UFV Buriti — terão capacidade instalada de 50 MW cada. Com investimentos individuais estimados em R$ 150,78 milhões e financiamento de até R$ 89,6 milhões por empreendimento. A terceira unidade, UFV Mangaba, terá 30,4 MW de potência instalada. Com investimento aproximado de R$ 92,8 milhões e aporte potencial de R$ 50 milhões pelo fundo regional.

Por trás dos projetos está a Newave Energia, joint venture formada pela Newave Capital, Gerdau Next e BTG Family Office. Estrutura que reflete o crescente interesse de grandes grupos industriais e financeiros em ativos de geração renovável. A companhia já acumula experiência relevante no setor, com cerca de 432 MWp de capacidade solar instalada em Minas Gerais. Mas vem expandindo sua presença em Goiás como parte de uma estratégia nacional baseada na diversificação geográfica e na captura de oportunidades em regiões com elevado potencial solar.

O movimento não ocorre de forma isolada. A própria Gerdau anunciou recentemente a implantação de um parque solar em Barro Alto, com capacidade total de 452 MWp e investimentos estimados em R$ 1,3 bilhão. A conclusão está prevista para o primeiro semestre deste ano.

A siderúrgica também pretende ampliar sua participação na Newave Energia, sinalizando uma tendência mais ampla: empresas industriais intensivas em energia passam a investir diretamente em geração renovável para reduzir custos, mitigar riscos regulatórios e avançar em metas de descarbonização.

Sistema nacional

Esse conjunto de investimentos reforça uma mudança estrutural no papel de Goiás dentro do sistema energético brasileiro. Historicamente associado à produção agropecuária e à expansão industrial, o estado passa a consolidar uma nova vocação como hub de energia limpa. Impulsionado por fatores como alta incidência solar, disponibilidade territorial, conexão com importantes corredores logísticos e proximidade de centros consumidores estratégicos.

Além de ampliar a oferta energética, projetos fotovoltaicos desse porte tendem a gerar efeitos multiplicadores relevantes, estimulando cadeias locais de serviços, engenharia e construção. Além de contribuir para a competitividade regional ao oferecer energia potencialmente mais barata e previsível para o setor produtivo.

Na prática, a expansão solar em Goiás reflete uma transformação mais ampla do setor elétrico brasileiro. Marcada pela descentralização da geração, pela digitalização das redes e pela crescente integração entre infraestrutura energética e estratégia industrial.

À medida que novos projetos avançam e investidores ampliam sua exposição ao segmento renovável, o estado se posiciona não apenas como beneficiário dessa transição, mas como protagonista na redefinição do mapa energético nacional.

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