
A fábrica da Caoa em Anápolis (GO) inaugura novo capítulo com a confirmação do Changan UNI-T: o primeiro veículo da nova marca a ser produzido no Brasil. O SUV médio chega oficialmente ao mercado nete mês ou em abril. Marca o início da operação nacional da parceria entre o grupo brasileiro e a montadora chinesa Changan. Reforçando o papel estratégico de Goiás no mapa automotivo latino-americano.
Mais do que um lançamento comercial, o UNI-T simboliza a retomada de investimentos industriais e a ampliação do portfólio produtivo da planta goiana. Uma das mais relevantes estruturas automotivas fora do eixo Sudeste.
A escolha do UNI-T como primeiro modelo nacional não é casual. Segundo a Caoa Changan, o SUV foi adaptado e planejado especificamente para o mercado brasileiro. Combinando design global com ajustes técnicos e comerciais voltados ao perfil do consumidor local.
A produção inicial ocorrerá em regime CKD (Completely Knock-Down). Sistema no qual o veículo é montado no país a partir de conjuntos importados —, mas com previsão de rápida nacionalização. O plano inclui a incorporação gradual de componentes produzidos por fornecedores brasileiros, fortalecendo a cadeia automotiva regional e ampliando o conteúdo local.
A estratégia segue o movimento global de regionalização produtiva adotado pelas montadoras para reduzir custos logísticos, aumentar competitividade e atender exigências regulatórias.

Tem dimensões próximas às de modelos líderes como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. Com isso, UNI-T chega para disputar o coração do mercado brasileiro de SUVs médios — segmento mais estratégico da indústria automotiva nacional.
O modelo apresenta: 4,51 metros de comprimento; entre-eixos de 2,71 metros; 1,87 metro de largura; e 1,56 metro de altura. As medidas indicam foco em espaço interno e conforto, atributos valorizados pelo consumidor brasileiro.
No interior, o SUV aposta em forte apelo tecnológico, com duas telas integradas posicionadas na parte superior do painel. Uma dedicada ao quadro de instrumentos digital e outra ao sistema de infoentretenimento e gerenciamento do veículo.
Inicialmente equipado com motor a combustão, o modelo representa a porta de entrada da marca antes da ampliação para veículos eletrificados.
O UNI-T será apenas o primeiro passo da ofensiva da Caoa Changan no país. A montadora já planeja ampliar rapidamente sua linha nacional com novos produtos. Entre eles o UNI-V, sedã com proposta esportiva e traseira estilo cupê; e o UNI-K — SUV de maior porte, com 4,86 metros de comprimento e entre-eixos de 2,89 metros.
A estratégia acompanha a movimentação de concorrentes chinesas que expandem operações no Brasil por meio de submarcas e posicionamentos múltiplos, como BYD, GWM e Chery.
Para a Caoa, a parceria com a Changan abre espaço para explorar diferentes segmentos, incluindo modelos premium e eletrificados, ampliando sua presença além das atuais operações.

Paralelamente ao lançamento do UNI-T, a empresa também prepara a chegada dos modelos da marca de luxo Avatr, braço tecnológico da Changan voltado à mobilidade elétrica premium.
O SUV elétrico Avatr 11, apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, já acumula cerca de 30 reservas no Brasil mesmo sem preço oficial — estimado acima de R$ 500 mil. As primeiras entregas aos clientes estão previstas para breve, segundo a companhia.
Outro modelo confirmado é o crossover Avatr 07, que se destaca por soluções tecnológicas inéditas, como um display externo personalizável na parte frontal do veículo.
A produção do UNI-T reforça o posicionamento da planta de Anápolis como ativo estratégico da Caoa para sua nova fase industrial. Em um cenário de transformação global da mobilidade — marcado pela eletrificação, conectividade e integração tecnológica —, a unidade goiana volta a assumir protagonismo na estratégia da companhia.
Além da geração de empregos e do estímulo à cadeia de fornecedores, a iniciativa fortalece a inserção de Goiás nas novas rotas da indústria automotiva global, cada vez mais conectada ao avanço das montadoras chinesas.
Com o início da produção nacional do UNI-T, Anápolis deixa de ser apenas uma base fabril e passa a integrar o movimento de transição da indústria brasileira rumo a uma nova geração de veículos — mais tecnológicos, conectados e competitivos.