Antes mesmo de chegar ao laboratório, o diagnóstico já pode ser feito no campo. Essa é a proposta da Biotech Genômica.

Antes mesmo de chegar ao laboratório, o diagnóstico já pode ser feito no campo. Essa é a proposta da Biotech Genômica, startup goiana que desenvolveu uma maleta portátil capaz de realizar exames moleculares em até uma hora. Diretamente em fazendas, frigoríficos ou áreas de produção.
A tecnologia busca reduzir um dos principais gargalos do agronegócio: a demora na identificação de doenças que afetam a produtividade. “Hoje, um produtor pode esperar dias — ou até semanas — por um resultado. Com a nossa solução, ele consegue identificar rapidamente se há contaminação e agir de forma imediata”, afirma a bióloga geneticista Elisângela Macedo, CFO da empresa, ao EMPREENDER EM GOIÁS.
A inovação, no entanto, não surgiu no mercado, mas na universidade. A Biotech Genômica foi criada dentro da Universidade Federal de Goiás (UFG), a partir de pesquisas desenvolvidas por Elisângela e pelo biólogo molecular Carlos Eduardo Anunciação. A proposta inicial era justamente transformar conhecimento científico em soluções aplicáveis.
“A empresa nasceu com o intuito de tirar ideias do papel, que normalmente ficam restritas a artigos científicos, e levar isso para a sociedade”, explica Elisângela.
O primeiro grande avanço ocorreu durante a pandemia de Covid-19, em 2021, quando a equipe desenvolveu um teste molecular mais acessível, inspirado na técnica de PCR. A experiência abriu caminho para novos diagnósticos voltados a doenças como Zika, Dengue e Chikungunya, consolidando a atuação da startup na área de biotecnologia.
A virada para o agronegócio veio a partir de uma percepção prática. Ao observar a estrutura dos laboratórios, Carlos Eduardo passou a questionar a necessidade de equipamentos grandes e pouco acessíveis. “A ideia era miniaturizar tudo. Foi assim que surgiu o conceito da maleta, um laboratório portátil de biologia molecular”, diz Elisângela.
O equipamento permite análises com alta precisão e baixo custo, com valores estimados entre R$ 70 e R$ 100 por exame. Inicialmente, a tecnologia está sendo aplicada no diagnóstico de mastite bovina, doença que compromete a produção de leite e gera prejuízos significativos ao produtor.
“Com o resultado rápido, o produtor consegue iniciar o tratamento de forma precoce, evitar perdas e até reduzir o uso excessivo de antibióticos”, afirma.
Atualmente, a Biotech Genômica está na fase de validação do protótipo e busca recursos para avançar na produção. A meta é fabricar 20 unidades da maleta e distribuí-las a produtores rurais para testes em campo, em parceria com o setor produtivo.
O modelo de negócio também já está definido: a empresa pretende focar na venda dos kits de diagnóstico que operam dentro da maleta. “A lógica é semelhante à de impressoras. O equipamento é a base, mas o negócio está nos testes”, explica Elisângela.
O reconhecimento da startup ganhou força em 2026, quando Elisângela venceu uma batalha nacional de startups do agronegócio durante a Tecnoshow Comigo. “Foi uma validação importante. Mostramos que a solução tem aderência ao mercado”, diz.
Para os próximos anos, a expectativa é de expansão. A empresa aguarda a aprovação de um projeto submetido à Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que pode garantir cerca de R$ 3 milhões em investimentos. O recurso será fundamental para escalar a produção e consolidar a tecnologia.
Além da mastite, novos diagnósticos já estão em desenvolvimento, incluindo testes para detecção de salmonella em carnes destinadas à exportação. “Queremos avançar também na segurança alimentar, que é uma demanda crescente”, afirma.
A meta é clara: chegar à próxima edição da Tecnoshow Comigo com o produto final pronto e validado no campo. De uma ideia nascida na universidade a uma solução com potencial de transformar o agronegócio, a Biotech Genômica aposta na ciência como ferramenta para acelerar decisões e reduzir prejuízos no setor produtivo.