
Oito em cada dez brasileiros inadimplentes (84%) que ainda não fecharam acordo de renegociação demonstram intenção de quitar as dívidas. Entre eles, 58% preferem parcelar os débitos, enquanto 27% optam pelo pagamento à vista.
Os outros não simularam nenhuma possibilidade ou não responderam. Os dados são da Monest, fintech de recuperação de crédito com uso de Inteligência Artificial (IA).
Apesar da preferência pelo parcelamento, a mediana dos acordos fechados é de uma parcela, o que indica que muitos consumidores conseguem liquidar rapidamente as dívidas após reorganizar o fluxo de caixa.
O levantamento usou como base mais de 20 mil conversas de renegociação de dívidas entre novembro do ano passado e o início de maio deste ano. Entre as principais barreiras para fechar acordos, três fatores lideram: valor da entrada, número de parcelas e juros.
Contexto financeiro
Segundo Thiago Oliveira, da Monet, a inadimplência atual está mais relacionada ao contexto financeiro e ao momento da cobrança do que à falta de intenção de pagamento.
“O mercado historicamente tratou inadimplência como resistência do consumidor, mas os dados mostram outra realidade. A maior parte das pessoas quer pagar, só não consegue encaixar aquela oferta naquele momento. Isso muda completamente a lógica da cobrança, porque o foco deixa de ser pressão e passa a ser inteligência de oferta, personalização e experiência”, diz Oliveira.
Na avaliação do executivo, a flexibilidade se tornou central no processo de renegociação. “O parcelamento não é mais uma condição comercial e sim um mecanismo de entrada na negociação. O consumidor quer resolver o problema, mas precisa de ofertas compatíveis com sua realidade financeira imediata”, afirma o executivo.