
O comércio varejista goiano encerrou o 1º semestre de 2026 com crescimento acumulado de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, resultado superior ao observado no Brasil (1,9%). Em 2026, Goiás apresentou variações acumuladas superiores às nacionais em todos os meses.
A Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo IBGE, destaca também que, entre os estados, Goiás está em 12º lugar na alta acumulada no primeiro semestre. Pernambuco e Distrito Federal lideram, com 10,7% e 7,4%, respectivamente.
Em janeiro, a alta acumulada foi de 3,7% e, em março, chegou a 4,7%, desacelerando nos meses seguintes.
Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o volume de vendas do comércio varejista de Goiás variou 0,1% em junho, após recuo de 2,1% em maio. No país, a alta foi de 2,9%. No acumulado dos últimos 12 meses, Goiás registrou aumento de 1,8%, levemente acima da média nacional (1,6%).
Divergência
Apesar dos números, a situação não é boa para o empresário, pondera o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Goiás (Fecomércio GO), Marcelo Baiocchi.
“Foi um crescimento de caranguejo, ou seja, meio de lado, se avaliarmos que a inflação do primeiro semestre foi 3,36%. Infelizmente, a economia está em dificuldade. Uma Selic de 14%, num país com a inflação de 4,44% nos últimos 12 meses e juro real maior que 9%, é um impeditivo de crescimento”, afirmou.
Para Baiocchi, ainda há muito o que ser feito para que a vida dos empresários e dos consumidores melhorem. “O que nós precisamos é de uma política fiscal mais arrojada para que a Selic seja diminuída no seu valor nominal, com isso, proporcionando novos investimentos e que o consumidor volte a poder comprar,” alerta.

Destaques
Alguns setores de Goiás se destacaram, embora por motivos positivos e outros negativos. As vendas de combustíveis e lubrificantes cresceram 10% ao longo do semestre em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado foi bem acima do resultado nacional de 2,1%. Neste ano, o setor já teve altas de 19% (fevereiro) e 20,8% (março). A questão geopolítica internacional envolvendo países produtores de petróleo pode ter influenciado os valores.
O comércio de carros, motocicletas, partes e peças cresceu 24,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Após começar o ano em queda, o setor teve altas consecutivas em março (24,7%), abril (38,0%), maio (22,5%) e junho (24,1%).
Já os setores de tecidos, vestuário e calçados e hipermercados recuaram. As vendas do setor de tecidos, vestuário e calçados em Goiás acumularam retração de 4% no 1º semestre de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior. No país, a atividade também variou negativamente (-0,2%), embora com resultado próximo à estabilidade.
Hipermercados, supermercados e alimentícios, atividade de maior peso no varejo goiano, recuaram 0,9% em junho de 2026 em comparação ao mesmo mês do ano anterior.
Melhora
Apesar do momento complexo, Marcelo Baiocchi entende que o segundo semestre pode ser ainda melhor que o primeiro, principalmente por conta de eventos relevantes para o comércio e a economia.
“O segundo semestre sempre é um período melhor para o comércio, porque nós temos a maior data comemorativa, que é o Natal. E ainda tem um período eleitoral que acaba circulando mais recursos dos fundos partidários”, argumenta.