
A confiança do empresário industrial goiano voltou a recuar em agosto e atingiu o menor nível de 2026. O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Goiás (Icei Goiás), calculado pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), caiu para 42,3 pontos, 1,6 ponto abaixo dos 43,9 registrados em julho.
Com o resultado, o indicador acumula oito meses consecutivos abaixo da linha dos 50 pontos, patamar que separa confiança e falta de confiança no setor.
A queda de agosto teve como principal influência a piora das expectativas. O Indicador de Expectativas recuou 2,4 pontos, de 46,2 em julho para 43,8 pontos, também o menor resultado do ano para esse componente. Já o Indicador de Condições Atuais ficou praticamente estável, ao passar de 39,2 para 39,3 pontos.
Dificuldade
A trajetória desde janeiro reforça a dificuldade de recuperação da confiança. O Icei começou 2026 em 43,2 pontos, chegou a 46,8 em maio, melhor resultado do ano, e perdeu força nos três meses seguintes: 43,3 em junho, 43,9 em julho e 42,3 em agosto. Desde o pico de maio, a perda acumulada chega a 4,5 pontos.

Para o assessor econômico da Fieg, Cláudio Henrique Oliveira, o resultado de agosto merece atenção justamente porque a piora passou a atingir com maior intensidade a percepção sobre o futuro. “Até aqui, as expectativas vinham sustentando uma visão relativamente menos negativa do empresário, mesmo diante de condições atuais desfavoráveis”, afirma.
No entanto, em agosto, pondera, esse componente perdeu força de maneira mais acentuada, mostrando que a cautela começa a alcançar também as decisões e projeções para os próximos meses. “Juros elevados, custo do crédito e incertezas sobre o ritmo da atividade econômica continuam pesando sobre a confiança”, frisa.
Construção
Na contramão do resultado geral do setor, a indústria da construção em Goiás apresentou a segunda alta consecutiva. O Icei Construção avançou de 45,9 pontos em julho para 48,5 pontos em agosto, aproximando-se da linha que separa confiança e falta de confiança. Ainda assim, permanece 1,5 ponto abaixo do nível de neutralidade.
Conforme a Fieg, os números mostram uma mudança importante na leitura do cenário. Se nos meses anteriores as expectativas funcionavam como contraponto à avaliação mais negativa do presente, em agosto essa diferença diminuiu. O empresário industrial continua insatisfeito com as condições atuais e passou a demonstrar cautela maior também em relação aos próximos seis meses.
