
A Barucum é uma empresa de biocosméticos naturais que, assim como o nome indica, utiliza frutos típicos do cerrado para produzir seus produtos. De acordo com Suzan Macedo, fundadora da empresa, a Barucum é pioneira e exclusiva em combinar baru e urucum em cosméticos livres de toxinas e hipoalergênicos do Brasil. Os produtos da empresa são veganos e também voltados à saúde.
Porém, para Suzan, o maior diferencial da empresa diz respeito ao aspecto social. Ela explica que o maior diferencial é a sociobioeconomia circular de ponta a ponta, pois a matéria-prima vem do extrativismo sustentável de comunidades indígenas e quilombolas
“Geramos autonomia jurídica e financeira para a associação comunitária, pois 10% do nosso lucro direto retorna para o Fundo Social local. A própria comunidade tem acesso aos produtos finais para revender e empreender. Temos articulação com 16 comunidades”, conta a fundadora de 33 anos.

Produtos
A empresa tem o Protetor Labial de Baru e de Urucum e está lançando MVPs (versões mais simples e funcionais de um cosmético criadas para testar o mercado) de hidratante e óleo corporal. A Barucum também comercializa castanhas do caju e bioativos no mercado B2B através de entregas próprias. Suzan também conta que, em breve, fornecerá extratos industriais para empresas.
Hoje, a startup atua como MEI, mas por pouco tempo. “Com a rápida expansão das vendas, entrada no mercado B2B e o lançamento do novo portfólio corporal, já estamos preparando a transição e evolução para uma Microempresa (ME) para comportar a nova estrutura”, afirma a empreendedora.
História
Suzan começou a empreender 13 anos atrás, quando se tornou mãe solo aos 20 anos. Diante das dificuldades financeiras, precisou se reinventar. “Para garantir o sustento da minha família vendi roupas, cosméticos eróticos e fiz até artesanato. Essa garra de mãe solo construiu a resiliência que trago hoje na Barucum, que nasceu oficialmente dessa trajetória no início de 2024”, conta.
A empresa nasceu após a 11ª Olimpíada de Empreendedorismo Universitário da UFG, onde Suzan teve a ideia de criar o protetor labial com baru e urucum. Na ocasião, o projeto conquistou o 1º lugar na categoria de Negócios de Impacto Socioambiental e com uma equipe formada por pessoas pertencentes aos povos tradicionais. A empreendedora, graduada em nutrição pela UFG, já cursava medicina na universidade na época e atualmente está no terceiro ano do curso.
Ela escolheu os biocosméticos para a competição pois faz parte dos 15% da população mundial que sofre com alergias a cosméticos e corantes sintéticos convencionais. O objetivo era criar uma alternativa limpa, segura e vegana que valorizasse o Cerrado e fortalecesse as comunidades tradicionais.
A empresa começou com um investimento inicial de apenas R$ 200 para a produção do primeiro protótipo. Depois, com a premiação da Olimpíada da UFG, Suzan reinvestiu cerca de R$ 7 mil em embalagens e equipamentos iniciais.

Conquistas
Recentemente, a startup conquistou o 1º lugar na 3ª edição do programa Negócios Inovadores de Impacto Socioambiental e recebeu uma premiação de R$ 45 mil. Suzan conta que o resultado foi fruto de muita superação.
“O programa exigia uma rotina rigorosa de reuniões, entregas e mentorias valendo nota, tudo isso conciliado com a minha rotina exaustiva como acadêmica do curso integral de Medicina na UFG e mãe de 3 meninas. Como eu já havia participado da edição anterior e tirado uma nota baixa no DemoDay, vencer foi uma superação emocionante”, conta.
A premiação será usada em testes e laudos obrigatórios da Anvisa para registrar novos cosméticos, além de investimentos em maquinários e P&D na nova linha de cuidados corporais.
No futuro, a startup pretende construir uma mini indústria de processamento na própria comunidade, gerando empregos diretos e renda para mães locais. Objetivos a longo prazo incluem o fornecimento em escala de extratos do Cerrado para indústrias e expansão da marca para o mercado internacional.