sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Cooperativismo goiano mira R$ 50 bilhões

Cooperativismo goiano mira R$ 50 bilhões

Nos seus 70 anos, setor projeta alcançar 1 milhão de cooperados

2 de outubro de 2026

Luís Alberto Pereira: “O salto alcançado pelo setor impõe agora um novo desafio: crescer em escala sem perder as características que estruturam o modelo”

Setenta anos depois de começar a se organizar formalmente em Goiás, o cooperativismo chega a uma nova etapa de expansão. A meta estabelecida pelo Sistema OCB/GO para 2027 é alcançar R$ 50 bilhões em faturamento anual e 1 milhão de cooperados, ampliando a presença do modelo de negócios na economia estadual.

Em relação aos indicadores de 2025, isso significa adicionar aproximadamente R$ 13,1 bilhões em faturamento e quase 290 mil novos cooperados.

A dimensão desse desafio pode ser entendida pela própria trajetória do setor: em meados da década de 1950, Goiás tinha aproximadamente 50 cooperativas; em 2026, são 289 cooperativas com registros ativos, 710.307 cooperados e R$ 36,90 bilhões em faturamento.

Transformação

A história dessa transformação começou em 2 de outubro de 1956, quando 14 pioneiros se reuniram em uma sala de apenas 12 metros quadrados, no Edifício Rita de Albuquerque, na Rua 8, no Centro de Goiânia, para fundar a então União das Cooperativas do Estado de Goiás (UCEG), entidade que deu origem à atual Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB/GO).

O momento era favorável ao desenvolvimento do cooperativismo. Goiás ainda tinha uma economia predominantemente primária e passava por acelerado processo de ocupação e crescimento populacional, impulsionado pela Marcha para o Oeste e, posteriormente, pela construção de Brasília. A chegada de novos trabalhadores e agricultores aumentou a necessidade de organizar a produção, o comércio, o acesso ao crédito e a aquisição de bens.

Naquele período, já existiam aproximadamente 50 cooperativas em Goiás, segundo registros históricos da própria OCB/GO. Eram organizações ainda pequenas, muitas delas com dificuldades financeiras e estruturais. A criação da UCEG buscava justamente dar unidade e representação a esse movimento.

Não há registro consolidado do número total de cooperados existentes em 1956. A estimativa, calculada a partir de uma média de 100 associados por cooperativa, aponta para cerca de 5 mil cooperados naquele período. O número ajuda a dimensionar a diferença de escala alcançada ao longo das últimas sete décadas.

Trajetória do crescimento

Primeira sede da Organização das Cooperativas do Estado de Goiás 

Hoje, a dimensão do setor é completamente diferente. A base de cooperados cresceu 6,59% em apenas um ano, passando de 666.400, em 2024, para 710.307, em 2025. No mesmo intervalo, os ingressos (faturamento) avançaram 18,02%, com acréscimo de R$ 5,63 bilhões movimentados pelas cooperativas, enquanto os ativos aumentaram 11,03%, ou R$ 7,79 bilhões. Juntas, as cooperativas goianas são responsáveis por 18.859 empregos diretos.

Levantamentos relativos aos últimos cinco anos mostram a velocidade com que o modelo ganhou espaço. Em 2011, Goiás tinha aproximadamente 157,2 mil cooperados. Em 2021, esse número já havia alcançado cerca de 382,7 mil. Em 2022, eram 464.242. O salto para 666.400, em 2024, e 710.307, em 2025, evidencia a ampliação da participação de produtores, trabalhadores, empresários e consumidores no sistema.

Para o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, o crescimento dos últimos 70 anos representa a consolidação de um modelo econômico que passou a combinar escala, profissionalização e participação social.

“Os números goianos são eloquentes: quase 300 cooperativas associadas, mais de 700 mil cooperados, impacto direto e indireto sobre cerca de 2,5 milhões de pessoas e faturamento anual superior a R$ 37 bilhões, algo em torno de 10% do PIB estadual.”

Luís Alberto ressalta que a dimensão econômica atual é acompanhada por uma mudança na capacidade de organização do setor. “O que esses dados revelam é a consolidação de um modelo econômico capaz de combinar escala produtiva com distribuição de resultados, participação democrática e enraizamento regional.”

Estrutura institucional

Atual sede da OCB/ Goiás, em Goiânia. São 300 cooperativas associadas e mais de 700 mil cooperados

A transformação do cooperativismo goiano em sete décadas também pode ser percebida na estrutura institucional construída ao longo do tempo. Nos primeiros anos, a UCEG funcionava de forma bastante limitada e chegou a depender de recursos públicos para sobreviver. Tinha apenas uma secretária, cedida pelo Incra, e enfrentava dificuldades para receber contribuições regulares das cooperativas filiadas.

Com o crescimento do movimento, vieram a profissionalização da representação, a ampliação da estrutura física, a capacitação de dirigentes e trabalhadores e a criação do SESCOOP/GO, braço educacional da entidade. O cooperativismo também se diversificou, passando a ocupar espaços cada vez mais relevantes em setores como agropecuária, crédito, saúde, transporte, trabalho, consumo e serviços.

Para Luís Alberto, o salto alcançado pelo setor impõe agora um novo desafio: crescer em escala sem perder as características que estruturam o modelo. “Setenta anos depois, o nosso desafio agora é ampliar nossa competitividade em mercados cada vez mais globalizados sem abrir mão dos princípios cooperativistas.”

A expansão, no entanto, é projetada conjuntamente com o fortalecimento da governança. “Crescer preservando governança democrática, transparência e distribuição equilibrada de resultados é uma meta que exigirá inovação, digitalização, capacitação de lideranças e diálogo contínuo com a sociedade”, afirma o dirigente.

O portal EMPREENDER EM GOIÁS tem como principal objetivo incentivar, apoiar e divulgar os empreendedores goianos com conteúdos, análises, pesquisas, serviços e oportunidades de negócios.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não será publicado.